Analise: As cores da F1 em 2025

O certame deste ano da Fórmula 1 está cada vez mais próximo. E a O2 Arena, em Londres, foi o palco escolhido para uma apresentação coletiva das equipes, mas dessa vez de uma forma diferente: apenas os liveries dos carros e as respectivas duplas de volantes com seus novos macacões foram revelados. Logo, quem estava esperando para ver as inovações técnicas ou mudanças na aerodinâmica, terá que aguardar até os primeiros testes. A noite da última terça (18) foi reservada única e exclusivamente para os visuais.

A ocasião serviu para aumentar a expectativa pela nova temporada, que traz algumas novidades. Será a primeira de Lewis Hamilton sob as cores da Ferrari e a última da Honda e de Adrian Newey na Red Bull. A partir de 2026 a fabricante japonesa dará lugar à Ford nos taurinos e o mago das pranchetas rumará para a Aston Martin. De quebra, teremos a temporada que possivelmente tem mais estreantes na última década e meia.

(Reprodução / F1)

Para o Brasil, a maior expectativa é pelo retorno de um piloto. Gabriel Bortoleto fará uma estreia na equipe que ficou na rabeira do grid de 2024, a Sauber. Se não anima, quem queria competitividade do nosso país logo de cara, também traz o contraponto de cada mínimo avanço representar algo grande.

Mas agora é hora de irmos ao foco da noite de hoje: as cores que darão o tom da Fórmula 1 na sua 76ª temporada. Para elencar, vamos partir da ordem inversa do mundial de construtores de 2024, tal como foi também a apresentação em Londres. Ou seja, começaremos pela lanterna Sauber e iremos até a campeã McLaren.


Sauber e a transição

Em uma temporada que é carregada de expectativas para os brasileiros com o retorno de um volante à categoria, a Sauber vive quase que uma entressafra no certame de 2025. Se ano passado a operação suíça foi a lanterna do grid, com míseros 4 pontos, este ano as expectativas não devem ser muito maiores. Porém, lembremos que é um ano de “entressafra” por assim dizer. Afinal, ano que vem ela se torna equipe de fábrica da Audi, o que pode representar novos e importantes passos.

Mas falando do presente – e das tais expectativas tupiniquins – é na estreia de Gabriel Bortoleto que muito brasileiro está de olho na lanterna do grid. O paulista, que guiará o C45 ao lado de Nico Hulkenberg, tem uma temporada de aprendizado pela frente. E, guiando um carro que deve seguir no fundo do grid, qualquer avanço deve ser celebrado.

Na parte visual, o livery do C45, se não enche os olhos, ao menos é mais inspirado que o antecessor. O verde-cana ficou mais concentrado na dianteira do carro, se esticando até a porção central, quando ocorre um degradê para o preto. O visual deu um sopro de vitalidade à equipe, que se não ficou com um estilo dos mais inspirados, ao menos ficou mais moderno que as faixas retilíneas do C44, além de trazer uma certa “sensação de velocidade” (que, brincadeiras à parte, é bem o que o time precisa para este ano).

E vale lembrar que este será o último ano que veremos este esquema de cor, uma vez que ano que vem entrarão as cores de corrida da Audi na esquadra de Hinwil.


Williams e as expectativas pintadas de azul

Este escriba daqui do G&M nunca escondeu gostar de carros de corrida azuis. E a Williams caprichou no visual do FW47. Mas as maiores mudanças não estão na cor, e mesmo antes do modelo definitivo aparecer, já percebemos que a operação de Grove se mexeu nos últimos meses.

Primeiro, com a entrada do patrocínio master da Atlassian, gigante da área de tecnologia que “dá nome” o time nesta temporada. Segundo com a chegada de Carlos Sainz, que com a experiência e seu estilo, digamos, discreto, eficiente e constante de guiar, pode angariar bons resultados para o time, que almeja há algum tempo reviver momentos de glória e já vem se fiando há um tempo nos milagres operados por Alexander Albon. Afinal, lá se vão longos oito anos do último (e um tanto fortuito) pódio conquistado.

O visual ficou pra lá de acertado. Comentei com outros membros do nosso comitê editorial que o “jogo de cores” do FW47 me remeteu bastante às Ligier do começo dos anos 90, como a JS35, de 1991. Por mais que o Williams tenha um discreto degradê que escurece conforme vai chegando ao bico, as linhas gerais, que mesclam azul-royal, azul-marinho e leves toques de preto me remeteram um tanto à já citada Ligier.

Minha torcida fica apenas para que as semelhanças entre as duas parem aí, já que os britânicos precisam – e merecem, sejamos honestos – alçar voos mais altos.


VCARB e a busca (falha?) por uma identidade

Se tem um time que nosso comitê editorial não perdoa com o nome, é a Racing Bulls ou seja lá qual nome o time satélite da Red Bull tem. Mas parece que a ideia de criar uma identidade própria surtiu um efeito reverso neles, e trouxe foi uma crise de identidade, ao menos no visual.

Se na pista já vemos o pequenino japonês desbocado Yuki Tsunoda fazer chover a bordo dos limitados carros da equipe, infelizmente não será agora que ele ganhará uma chance na equipe principal, dando seus préstimos mais uma vez ao lado do estreante francês Isack Hadjar. Não custa lembrar que Tsunoda trucidou seus companheiros de equipe (Daniel Ricciardo e Liam Lawson) no certame anterior. Será que vem mais atropelo por aí?

E, quando o VCARB 02 foi apresentado, a sensação foi daquele “é…” bem desanimado. Se o livery de 2024 era um tanto meeiro mas ao menos tinha certa mescla de cores, o desse ano é dos mais enfadonhos possíveis. De forma bem crítica, o visual nada mais é que uma versão um tanto requentada da Red Bull que correu o GP da Turquia de 2021, com uma ínfima porção azul na tampa do motor, já próxima da asa traseira.

Nem mesmo o efeito visual da parte azul terminar em vários “tourinhos” salva a livery do time.


Haas e a mesmice de sempre

Sabe aquele seu colega de trabalho que é gente boa, simpático e que tinha tudo para ser alguém que chamaria atenção na empresa mas vive meio “apagado”, ninguém lembra muito dele, nunca recebe nenhuma promoção de cargo e vai levando a vida assim? Bem, esta é a Haas na F1.

A única equipe americana do grid muitas vezes nem parece americana, e esta é uma das maiores críticas que muitos dos membros do nosso comitê editorial fazem a ela. Vemos um time que tinha a oportunidade total de “gritar ao mundo” o orgulho de ser americano (algo que os ianques tanto bradam em outros esportes), mas o que vemos é uma equipe que, ano a ano (com exceção de 2019, onde o carro foi lindo mas nada competitivo) faz liveries dos mais enfadonhos possíveis.

Prova disso é que a gente aqui no G&M só percebeu que o VF-25 mudou – substancialmente, diga-se! – quando comparamos com o do ano anterior, quase soltando aquele meme do Silvio Santos falando “é, tá bom”. E sejamos sinceros, é um desperdício ano a ano… a logo da Haas tem um estilo muito legal e permitiria arroubos visuais muito bons (que o digam designers internet afora, como o Sean Bull, que já fez conceitos super legais com o time).

E, de tão apagado que o time se tornou, quase esqueci de mencionar os volantes. Com uniformes que parecem requentados de algum ano aí (chuto 2017 ou 2018), o odiado Esteban Ocon e o promissor Oliver Bearman são duas caras novas em um time que, ano a ano luta para emplacar no grid mas que parece andar para trás cada vez mais.


Alpine e a beleza cercada de incertezas

Como fã de carros de corrida azuis, reitero sempre que posso que regurgitei assim que vi as cores da Alpine em 2024. Como aquele celeste tão charmoso virou aquela aberração quase toda sem pintura? E o pior, foi um carro que, não fosse o duplo pódio em interlagos, teria sido o fiasco mais retumbante da esquadra francesa desde seu retorno à F1 em 2021.

Aí chegou 2025 e uma grata surpresa. Vimos a aberração do ano anterior dar lugar a um livery que arrebatou corações. O azul francês voltou a ter mais espaço, ainda sendo um tanto maculado pelo rosa da BWT (que, sabemos, sempre toma de assalto o livery dos times que patrocina), mas se impondo bastante. Se a Williams não tivesse se inspirado tanto no azul, arriscaria dizer que o A525 seria o carro mais bonito do grid.

Mas, como diz um célebre ditado, “beleza não põe a mesa”, e 2025 é, sim, um ano um tanto crítico para a operação francesa, que vive um “dá ou desce” tremendo. Pierre Gasly parte para mais um ano capitaneando os cockpits, com o novato Jack Doohan. O filho do antológico Mick Doohan tem uma missão tão insólita quanto a de seus outros colegas estreantes, diga-se. Talvez até mais penosa, dada a bagunça generalizada que a Alpine continua se encontrando.


Aston Martin e o estilo que mira 2026

Se a apresentação da Aston Martin teve um tantinho a mais de pompa e circunstância que as demais, não é exagero dizer que tudo que eles estão fazendo este ano é mirando 2026. É a partir de lá que Adrian Newey levará sua magia das pranchetas para as bandas de Silverstone.

E Fernando Alonso e Lance Stroll não têm no certame atual tantas expectativas quanto terão no seguinte. Mas não é por isso que o time vai deixar de competir. O espanhol já passou dos 400 GPs mas segue com fôlego de menino, e o canadense vive a eterna cruzada para mostrar ao mundo que não está na outra cadeira “apenas” por ser o filho do dono.

Mas se o momento é de certa entressafra no time britânico, isso não quer dizer que vai faltar beleza nas cores. O tradicional British Racing Geen ficou num tom mais “verde-folhagem” e menos “verde-levemente azulado” dos anos anteriores, se aproximando mais daquele que víamos nos belos Jaguar da F1.

Além disso, o preto que chegou aos sidedpods arrematou com elegância as laterais do bólido e o detalhe branco na tomada de ar, com patrocínio da Maaden também deu um toque de distinção. Se o carro andar o tanto que ficou bonito, Alonso sorrirá um tantinho a mais este ano.


Mercedes e o jeitão “McLaren wannabe

Citar que a Mercedes se tornou uma “McLaren wannabe” não soa muito estranho ou mesmo utópico. O time de Brackley que retomar o protagonismo que, pasme, foi obtido pela esquadra de Zak Brown no ano passado. E aí, nas ironias que a vida prega, ao vermos as cores do W16… deja vu?

Pois é, se as faixas verdes da Petronas fossem trocadas pelo vermelho, teríamos sem tirar nem pôr um McLaren dos tempos da West, livery que apaixonou tanta gente nos anos 90 e 2000 e que, pasme, foi a “operação de fábrica” da Mercedes por anos.

Mas o sonho de voltar ao protagonismo pode passar por uns percalços. Se o time fechou 2024 com alguns picos de ascensão, viu partir seu maior expoente – Lewis Hamilton – tendo agora na juventude de George Russell e do estreante Kimi Antonelli a expectativa de resultados. Aposta de risco do “aprendiz de Flavio Briatore”, vulgo Toto Wolff)?

Carta na manga? Só o tempo nos dirá.


Red Bull e a temporada da ressaca

Todo reinado em qualquer esporte tem seu fim. Vimos isso com a McLaren após o tri de Senna, vimos isso na Ferrari de 2008 em diante, e vimos isso na Red Bull pós-Vettel. 2025, ao que tudo indica, será este ano para os taurinos. Com Adrian Newey de malas prontas para a Aston Martin, crises e mais crises internas que permearam todo ano de 2024 e um Max Verstappen que parece estar cada vez mais de saco cheio do time, este ano é totalmente cercado de incertezas para a operação de Milton Keynes.

Inclusive não é exagero dizer que a coisa já começou a ruir de antes, visto que, por mais que Max tenha levantado o caneco, a operação anglo-austríaca foi apenas a terceira nos construtores. Ninguém sabe se Newey vai querer se despedir com chave de ouro liderando as pranchetas ou se vai só dar a canetada final e delegar o projeto deste ano a terceiros, assim como não fazemos ideia se Liam Lawson estará mais para um escudeiro a la Valtteri Bottas nos tempos de Mercedes ou um Gasly quando dividiu o box da Red Bull com Verstappen.

Para completar, quando mostraram o novo carro, na certa todos se entreolharam e se perguntaram “mudou?”. Pra variar, o mesmo azul-escuro fosco com faixas vermelhas ornado pelo touro vermelho no fundo amarelo na tampa do motor e no bico.

Para uma equipe que já teve liveries tão marcantes (de 2005 a 2008 que o digam!) essa falta de criatividade tem sido nada menos que desanimadora.


Ferrari e as novidades que empolgam

Talvez nenhuma equipe tenha roubado tanto os holofotes quanto a Ferrari. Não houve nenhuma apresentação tão bombástica, muito menos um carro com livery de arrebatar corações. O que todo mundo esperava mesmo era ver, em oficial, Lewis Hamilton de macacão vermelho ao lado do novo carro.

A expectativa do maior vencedor da história da categoria correndo pelo time mais tradicional é tão grande quanto a história de cada um deles isoladamente. Quem fica de patinho feio nessa história é justamente o piloto que tantas garotas acham bonito, o monegasco Charles Leclerc. Outrora tido como líder da operação vermelha, agora ele precisará se impor a um rival que é “apenas” o detentor da maioria dos recordes da categoria.

Na hora que o carro foi apresentado, a salada mista que ele se revelou talvez não tenha sido das mais saborosas. O tom de vermelho é mais escuro, como o das Ferrari de 2007 a 2009, mas com detalhes brancos nas asas (como era no começo dos anos 2000). A faixa diagonal na tampa do motor reverencia os últimos vencedores de Le Mans, porém com o branco da HP, e ainda há uma presença do azul da IBM na asa traseira.

Para quem é acostumado a ver a Ferrari predominantemente vermelha, tamanha mistura de cores soou um tanto indigesta, É ver se todos se habituarão com isso ao decorrer do ano.


McLaren e o desejo por mais (organização?)

Em 2013 o Criciúma foi vice-campeão da Série B com o melhor ataque (78 gols) mas ao mesmo tempo a defesa mais vazada dos times que subiram (57 gols tomados, contra 37 do campeão Goiás). O que tem isso a ver com a McLaren na Fórmula 1? Se falarmos da temporada 2024, tem muito a ver!

A esquadra de Woking teve um 2024 memorável. Saiu da fila dos construtores e deu o que falar com seis vitórias e 666 pontos (alô Iron Maiden!). Mas se por um lado esse feito é para ser exaltado, assim como as vitórias de Lando Norris e Oscar Piastri, também é temporada de ligar o alerta para muitas falhas pontuais.

O título de pilotos escapou de Lando (que ganhou de diversos brasileiros o apelido jocoso de “Amarelando Norris”), que oscilou demais em suas atuações, ora vencendo de forma acachapante, ora sendo apagado e subjugado pelo companheiro de equipe. Inclusive foi justamente neste ponto que a equipe pecou. Ao decidir deixar a “franca trocação” na pista e nunca ter dado preferência a um primeiro piloto (que naturalmente seria Lando), a McLaren perdeu a chance de arrebanhar os dois títulos para si de forma inapelável, tendo o melhor carro do grid com sobras.

2025 vem como a chance de redenção, mas com o alerta ligado para todos se organizarem mais. E se esta é a pedida, que o carro de 2025 não carregue a sina do ano anterior, uma vez que, visualmente, não mudou praticamente nada, havendo quem achasse que, tal qual a Red Bull, estávamos vendo o carro do ano passado.


E assim encerramos nossos pitacos sobre o que cada equipe trouxe visualmente para 2025. E aí, amigo leitor, o que achou? Diz aí nos comentários!

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