Olá Amigos do G&M! Parte 6! Os anos 2000!
Essa coluna é o fim da primeira história de Ímola na F1, perante muitas críticas por ter se tornado uma pista obsoleta para a categoria, mesmo assim todas as provas tiveram momentos inesquecíveis! E o padrinho dessa última parte da série, é Wolker Weidler!

Já partimos para Ímola, e lá a Rial seguia muito abaixo no desempenho, e Wolker Weidler marcou apenas o tempo de 1.36.480, simplesmente 3.6s abaixo de Bernd Schneider, o penúltimo colocado no pré qualyfing, e a simplesmente 6.1s de Bertrand Gachot, o que ficou mais próximo de passar para os treinos oficiais.
2000: A Ferrari com sangue Brasileiro e um início de temporada perfeito
Data:09/04/2000
Prova: 62 voltas, cada uma com 4,933m;
Pole: Mika Hakkinen (McLaren-Mercedes)
Vitória: Michael Schumacher (Ferrari)

História pra contar: A chegada da temporada a Ímola inaugurando a temporada européia coincidiu com a primeira prova de Rubens Barrichello na Europa em terras italianas com uma Ferrari. O Brasileiro que depois de duas provas, onde liderou em Melbourne por um curto espaço de tempo e estava na segunda colocação em Interlagos quando teve uma falha hidráulica estava em estado de graça com os tifosi, até pelo fato de Barrichello aproveitar que fala italiano, e pode responder nativamente aos torcedores.
E paralelo a isso, a Ferrari iniciava uma temporada com um domínio que há muito a Scuderia não via: Além do retorno triunfante de Schumacher em 1999 para ajudar Irvine na disputa do título (que acabou não vindo) e com um desempenho espetacular em 2000, o novíssimo F2000 já com a dupla Schumacher/Barrichello se demonstrava muito rápido, e estava sim sendo o melhor carro do início da temporada, tanto que Schumacher pela primeira vez nos seus 5 anos de Ferrari chegava a Ímola liderando o campeonato com 20 pontos em 20 possíveis.
Paddock fervilha com a McLaren e suas acusações contra a FIA
Ron Dennis ainda não engoliu a desclassificação de David Coulthard no Brasil por míseros 2mm na altura da asa dianteira. Após a discussão ser bastante acalorada em Interlagos, Ron ainda murmura pelo paddock de Ímola:
“Não somos trapaceiros! Nunca tivemos problemas assim. Não tenho nada contra a Ferrari, nem contra a FIA. Mas eu sou realista. Estamos em um mundo onde as pessoas querem ver vencedores diferentes. O que, claro, não é meu objetivo: o meu objetivo é vencer todas as corridas. Além disso, não estou surpreso que esta decisão vá contra nós. É bom para o esporte…”
A desclassificação de Coulthard deixa a McLaren com zero pontos no campeonato, em 32 possíveis. O modelo MP4/15 é frágil e está abaixo em desempenho geral da Ferrari. O sinal de alerta está aceso em Woking.
Sauber de volta
Após um grande susto em Interlagos, onde tanto Mika Salo quanto Pedro Paulo Diniz sofreram quebras da Asa traseira que não estavam resistindo as pressões aerodinâmicas do trecho entre a Junção/Café e S do Senna, a Sauber se retirou da prova brasileira na noite de sábado e teve que refazer toda a engenharia da parte traseira do C19. Em Ímola, Peter Sauber e Jacky Eeckelaert garantem a segurança do material aos pilotos.
Benetton ressurgindo, alívio na Jordan e Arrows buscando preparador físico para Verstappen
Na Benetton, clima de muita esperança. Após o pódio de Fisichella no Brasil e o bom desempenho de Wurz, Flavio Briatore após muito tempo volta a mostrar sua tradicional auto estima: “Tenho o controle da equipe, sei fazer bons carros e agora tenho bons pilotos!” O Box da equipe está bem movimentado, porém por outros motivos: a Renault seguindo a sua tradição de ir e voltar da F1 após curtos períodos fora, anuncia que em 2001 estará novamente na categoria, e se fala em um motor revolucionário. Em épocas de regulamento bem restritivo, o que os franceses estão aprontando?
Já na Jordan, alívio: Sete pontos bem vindos no Brasil e a equipe surpresa de 1999 começa finalmente seu ano. Mas Eddie Jordan esperava mais após ser um dos concorrentes ao título até a penúltima prova da temporada, e agora oficialmente parceira da Honda. Estar disputando com a Williams, Benetton e até mesmo a Jaguar não eram os planos do peruqueiro irlandês. E na Arrows, misto de felicidade e preocupação: O Modelo A21 é competitivo ao ponto de Jos Verstappen andar em terceiro lugar boa parte do GP Brasil. Porém, literalmente Verstappen não aguentou o calor de São Paulo, e caiu de desempenho físico após o meio da prova: Ele não disputava uma prova inteira há mais de 1 ano! E Tom Walkinshaw imediatamente tomou uma atitude: A partir da europa, Verstappen estaria acompanhado nos autódromos pelo preparador físico do clube de rúgbi de Gloucester, do qual também é dono.
A prova teve um tempero especialíssimo preparado no sábado: Schumacher marcou a pole a 20s do fim do treino. A festa é enorme em Ímola, porém Hakkinen abriu a volta após dele. E nas primeiras duas parciais, o finlandês vinha acima de Michael, o que fazia a festa na arquibancada só aumentar, até vir a terceira parcial, e uma entrada suicida na reta, no mesmo local onde no ano anterior Hakkinen havia batido e ocorreu um verdadeiro balde d’água fria no autódromo todo: Hakkinen bateu Schumacher por míseros 0,091s!
No domingo, após uma largada onde Schumacher teve que apertar Coulthard para não perder a sua posição e contar com a sorte pois Barrichello aproveitou isso para pular para terceiro, começava a luta mano a mano entre Hakkinen e Schumacher. E essa luta se manteve até o segundo pit stop de ambos com dois fatores determinantes: Na volta 41 o McLaren de Hakkinen apresentou alguma falha eletrônica onde ele perdeu 3s da frente que tinha para Schumacher, e na volta 44 ele parou e fez o seu pit stop, deixando Schumacher na pista: no primeiro pit, a Ferrari abasteceu 3s a mais de combustível no Ferrari, proporcionando a Schumacher ficar mais tempo na pista, até a volta 49 daquele jeito Schumacher de voltas voadoras pré-pit-stop. E isso foi o suficiente para o alemão voltar na frente de Mika, carimbar a vitória e incríveis 30 pontos em 30 possíveis. Era o inicio dos sonhos da Scuderia, que veria o Jejum de títulos de 19 anos acabar no fim dessa temporada.
2001: O retorno da Williams, BMW e Michelin ao alto do pódio na F1
Data: 15/04/2000
Prova: 62 voltas, cada uma com 4,933m;
Pole: David Coulthard (McLaren-Mercedes)
Vitória: Ralf Schumacher (Williams-BMW)

História pra contar: Ímola seria a quarta etapa do campeonato de 2001 e seguia sendo o início europeu. Mas as equipes são surpreendidas ao chegar no autódromo: O final de semana inteiro estava muito frio, com máximas não passando dos 20º durante os três dias. E isso causa movimentos interessantes: A Michelin, de volta ao circo após 15 anos, estava muito competitiva a ponto de fazer a Williams de Ralf Schumacher ser sempre uma das mais rápidas durante todo o fim de semana.
Ferrari com problemas
Na Scuderia, finalmente campeã do mundo de pilotos e construtores após um enorme hiato, havia uma certa decepção: o modelo F2001 não nascia tão dominante quanto o campeão F2000, e internamente se tem a certeza que ter levado a força total para a conquista do campeonato de 2000 é o motivo. Claro que a equipe não fica triste, apenas sabe que terá mais trabalho de desenvolvimento. E para piorar, Rubens Barrichello mostra que não está à vontade no modelo, tendo dificuldades nas primeiras três provas do ano, incluso um drama no Brasil (com o carro parando na volta de instalação da largada) e o carro reserva que estava configurado para Schumacher sendo destruído após ele acertar a traseira de Ralf Schumacher na curva do lago logo após a largada.
Mantenha Distância!
A Williams aparece em Ímola ainda com lembranças de todos os tipos de Interlagos. Após um final de semana positivo, com os motores BMW tendo excelente desempenho, inicia-se uma sequência de fatos que motivam a frase na parte de trás do aerofólio traseiro dos carros:
- A ultrapassagem simplesmente histórica de Juan Pablo Montoya em Michael Schumacher no S do Senna, que nas palavras de Galvão Bueno: “Esse Montoya, esse garoto é maluco! Botou pra cima do Schumacher: Sai para lá Schumacher e foi embora. Montoya assumiu a poooonttaa….”
- Ao fim da frase, a extensão da palavra ponta se deve ao primeiro abalroamento do dia: Rubens Barrichello erra o ponto de freada na curva do lago e atropela Ralf Schumacher. Fim de prova para ambos e a Williams mantinha Montoya na liderança.
- Montoya ia soberano na liderança até a volta 38 quando, ao aplicar uma volta em Jos Verstappen, da Arrows, no mesmo ponto do circuito, ocorre exatamente a mesma coisa! Verstappen erra o ponto de freada e bate na traseira de Montoya, levando seu Aerofólio traseiro embora. O Colombiano até volta pra pista mas logo abandona.
- Vale lembrar ainda que no início da temporada, o Gp da Austrália, Jacques Villeneuve entrou com tudo na traseira de Ralf Schumacher na chegada da terceira curva. O acidente causou uma fatalidade: o fiscal de pista Graham Beveridge.
- Essa sequência de fatos leva a Williams a essa celebre frase na foto acima: Mantenham distância! Porém, a própria Williams estava se preparando para isso.
Sauber em festa
Exatamente um ano após ter que retirar seus carros da prova por questão de segurança, Peter Sauber volta a Ímola com uma equipe totalmente renovada: Novos Pilotos (saíram Pedro Paulo Diniz, que abandonou a carreira e se tornou sócio de Alain Prost) e Mika Salo (que a essa altura estava dedicado ao projeto Toyota F1) e chegaram dois nomes jovens: Nick Heidfeld, campeão da F3000 e que tinha estreado na problemática Prost Peugeot em 2000 e Kimi Raikkonen, vindo da F3 e que causava furor no paddock: sua carreira meteórica deixava dúvidas em muitos se estava pronto para a F1, enquanto nas provas ele espantava por ser extremamente gelado e com um talento acima do comum. E Heidfeld foi responsável por um surpreendente pódio no GP Brasil, deixando um gostinho de felicidade um ano depois para a Sauber em Interlagos.
Minardi tentando se reerguer
Na Minardi o clima era de remontagem: Após a saída de Gabrielle Rumi da chefia da equipe e a chegada de Paul Stoddart, dono da European Aviation, e que era patrocinador da Arrows em 2000 como um dos sócios, a equipe está com sérios problemas: Chegou em Melbourne com apenas 1 carro montado e o outro foi montado totalmente às pressas, inclusive com mão de obra do próprio piloto estrela do time, um certo jovem espanhol chamado Fernando Alonso! No segundo carro, o brasileiro Tarso Marques tem apenas uma missão: Ensinar o caminho das pedras ao espanhol e torcer que o carro seja rápido o suficiente para que ele possa largar.
Benetton Renault e o novíssimo motor de 112º de bancada
Na Benetton, o clima é de adaptação: A Renault, oficialmente de volta à F1, trouxe um novo motor com 112º na bancada de cilindros, o que deixava o modelo B201 com um centro de gravidade mais baixo e era mais leve que o Supertec que a Benetton estava usando (que nada mais era que os Renault modificados desde 1997). Problemas de confiabilidade durante a os testes causaram aumento de peso, mas nada que chegasse ao peso do B200. A chegada de Mike Gascoyne, vindo da Jordan e a troca dos pneus Bridgestone pelos Michelin completava a salada em que a Benetton estava, mas com frutos nesse motor que viriam alguns anos depois.
Na prova, após uma largada perfeita, Ralf Schumacher assumiu a liderança. Tanto Schumacher quanto Barrichello estavam com dificuldades no meio do pelotão, e para piorar Schumacher teve um furo de pneu, que o levou aos boxes, e na sequência, foi detectado um problema na suspensão, levando o campeão vigente a abandonar a prova. Na volta 17, lembranças amargas voltam a Ímola: Logo após contornar a Tosa, Raikkonen estranhamente roda e bate na parte interna da pista. O motivo: Quebra da barra de direção. Um motivo que já havia causado tragédia no circuito. Dessa feita, o finlandês rodou em velocidade moderada e bateu devagar, sem se lesionar.
Ralf Schumacher seguiu na liderança mesmo com o alerta de pressão do óleo aparecendo a oito voltas do final. Mesmo assim, levou a Williams a retomar o alto do pódio que não visitava desde 1997 com Jacques Villeneuve. David Coulthard em mais uma boa prova em Ímola foi segundo colocado e Rubens Barrichello representou a Ferrari no pódio, na terceira colocação.
E pela primeira vez na história, a Fórmula 1 apresentava dois irmãos vencedores de corridas.
2002: A história na Ferrari se repete: Surgem os primeiros ruídos na dupla Schumacher x Barrichello
Data: 14/04/2002
Prova: 62 voltas, cada uma com 4,933m;
Pole: Michael Schumacher (Ferrari)
Vitória: Michael Schumacher (Ferrari)

História pra contar: Novamente a quarta etapa do calendário da F1, Ímola recebia um campeonato bastante mexido para a Ferrari: Enquanto Michael Schumacher tinha 2 vitórias e 1 segundo lugar em três provas, Rubens Barrichello estava totalmente em segundo plano: Ao começar o ano com o F2001, o carro de 2001 atualizado para a temporada 2002, ele até teve bons desempenhos: Largou na pole em Melbourne, mas a corrida dele nem chegou na primeira curva, sendo dessa vez ele atropelado por Ralf Schumacher. Na Malásia teve um estouro de motor, e no Brasil teve problemas hidráulicos. E pela primeira vez em Ímola, os dois teriam o modelo F2002 da temporada.
E isso era motivo de discussão interna e de descontentamento por parte do brasileiro: Em Interlagos a Ferrari trouxe um F2002 para Schumacher, enquanto Barrichello seguiria com o F2001. E um fato novo na temporada crescia: A Williams, empurrada pelo fortíssimo motor BMW, se mostrava cada vez mais competitiva, pelo menos em classificação, e na Malásia conseguiu 1-2 com Ralf e Montoya, coisa que não ocorria desde Portugal 1996. E o primeiro evento de Barrichello com o carro não poderia ser melhor.
O brasileiro se adaptou perfeitamente ao carro e em todo o final de semana andou muito próximo, ou então até mesmo mais rápido que Michael Schumacher. Até que no sábado antes do treino oficial surge a informação: Schumacher solicitou a troca de chassis entre ele e Barrichello. As coisas azedaram na Ferrari.
Novo Brasileiro no grid
Em 2002, o Brasil recebia um novo piloto, que veio cheio de expectativas: Felipe Massa estreou pela Sauber, uma equipe com boa estrutura e que tem tradição em revelar pilotos. Inclusive ele entra na vaga de Kimi Raikkonen, que teve uma passagem de um ano pela equipe e migrou para a McLaren no lugar do recém aposentado Mika Hakkinen.
Já nos testes pré-temporada e na posição de largada de Melbourne, o pequenino Felipe assombrou a todos. E lembrando que o empresário dele é Nicolas Todt, nada mais que o filho de Jean Todt, chefe da Ferrari. Nesse momento, o Brasil apresentava garantias de futuro na categoria.
Crise na Arrows

A tradicionalíssima Arrows estava em péssimos lençóis. A equipe capitaneada por Tom Walkinshaw passava por sérias dificuldades financeiras. E a temporada de Enrique Bernoldi e Heinz Harald Frentzen mesmo com o novo modelo A23 ( que se mostrava promissor) e o motor Cosworth CR-3 (que entregava ótimo desempenho) estava em risco. Bernoldi por sinal, ainda tinha mais um ponto: Ron Dennis havia prometido acabar com sua carreira após ele segurar (esportivamente) David Coulthard no GP de Mônaco de 2001, o brasileiro teve a sua carreira ameaçada pelo chefe da Mclaren. E Frentzen, em 4 anos, saiu de possível campeão do mundo para um piloto que estava praticamente sem cockpit.
Toyota chegando no circo. Mas tendo muito trabalho
A temporada 2002 marcou a chegada da Toyota na categoria. Em um programa que iniciou testes durante todo o 2001, com uma dupla experiente (Mika Salo e Alan McNish), a equipe nipônica, mas com sede operacional na Alemanha iniciou o ano com o TF102, que já era a evolução do primeiro, e obeso modelo da equipe, TF 101. Até a prova de Ímola, a equipe não conseguia mostrar desempenho e estava se debatendo com a Minardi no fundo do grid. O investimento é enorme (fala-se infinito) para que a Toyota repita o sucesso da concorrente Honda. O primeiro ano está sendo de muita experiência e pouco desempenho.
Na prova, Michael Schumacher novamente venceu. Barrichello somou seus primeiros pontos no ano com o segundo lugar, após sentir o cheiro e o sabor da pole até instantes antes do fim dos treinos, quando Michael tirou da cartola uma pole insana. Ralf Schumacher concluiu a prova em terceiro e Montoya em quarto, fixando a Williams como segunda força da temporada. Button, de B.A.R chegou em quinto e Coulthard, mesmo tendo tomado uma volta de Schumacher, somou um ponto.
O alemão da Ferrari ampliava ainda mais sua liderança e não havia a perspectiva imediata de reação das outras equipes, e o circo se perguntava após um inicio de temporada competitivo, e com Schumacher se recuperando de uma lesão no pescoço na pré-temporada: será que Barrichello poderia deter Schumacher e dar alguma emoção à disputa?
2003: Uma vitória pesada, triste, para Michael Schumacher (e uma historieta brasileira envolta)
Data: 20/04/2003
Prova: 62 voltas, cada uma com 4,933m;
Pole: Michael Schumacher (Ferrari)
Vitória: Michael Schumacher (Ferrari)

Em 2003, novamente Ímola sentiria o clima pesado em seu dia de prova, e principalmente em seu pódio, 9 anos após a prova que marcou a morte de Ayrton Senna. A mãe dos irmãos Schumacher, Elisabeth, sofreria uma queda em sua casa em Colônia, na Alemanha, e estava em coma Induzido, até a manhã de domingo, dia da prova. Inclusive, os irmãos Schumacher, após o treino oficial, foram até a Alemanha para ver a mãe e voltaram na manhã de domingo, horas antes da prova.
E aí, entra uma história brasileira: Everaldo Marques, atualmente narrador do grupo Globo, e na época, trabalhando no grupo Jovem Pan, notou poucos momentos antes da prova, movimentações anormais nos boxes da Williams, e conseguiu a informação dada em primeira mão mundialmente via mídia no Brasil (já que era montado um cenário para que a informação só viesse à tona após o GP): Dona Elisabeth falecera pela manhã, e os irmãos Schumacher eram dúvidas para a prova, especialmente Ralf, o mais abatido.
No final os dois correram, de luto. A informação da morte foi revelada mundialmente e foram os irmãos para a largada, onde inclusive formaram a primeira fila naquela prova, numa diferença de apenas 0,014s para Michael.
Teve troféu antes da prova!

O Grande Premio do Brasil seguia rendendo, mesmo duas semanas após o seu encerramento. A Ferrari ainda era cobrada, especialmente pela mídia brasileira, sobre a pane seca que tirou uma vitória certa de Rubens Barrichello em Interlagos. A explicação italiana foi que os dados do carro de Barrichello foram perdidos pela quantidade de chuva que caía, e estavam se baseando nos dados que restaram de Michael Schumacher antes de ele rodar na curva do Sol.
Além disso, Fernando Alonso era muito requisitado no paddock, após o violento acidente duplo, no Café. O espanhol foi liberado sem restrições pela FIA para o evento e, apenas informava que demorou alguns dias para conseguir mexer o pescoço sem dores.
Para completar, o fim de prova de Interlagos, que foi extremamente tumultuado, somente teve a bandeirada real antes do treino da sexta-feira: Após a comprovação de que Giancarlo Fisichella havia aberto a segunda volta como líder antes da bandeira vermelha ser acionada no dia seguinte à corrida brasileira, apenas em Imola houve a “troca” de troféus entre Kimi Raikkonen e Giancarlo Fisichella que, com isso, conquistava sua primeira vitória sem poder ter o gosto do champanhe do vencedor nem o hino italiano no pódio.
Disputa, Vitória e lágrimas
A prova foi de amplo domínio da Ferrari, que escolheu a estratégia de 3 pit stops, juntamente com a Williams. Na largada, Ralf pulou melhor e assumiu a liderança na chicane Tamburello, mas Michael, na sua tática conhecida de acelerar tudo antes do pit stop, retomou a liderança na volta 19, após o seu primeiro pit stop. À essa altura, a Mclaren até apareceu liderando a prova, com Coulthard e Raikkonen usando uma tática de apenas dois pit stops.
O grande momento da prova foi proporcionado por Rubens Barrichello, que após um pit stop lento da Ferrari se viu fora do pódio, após a sua tática funcionar e lhe colocar hipoteticamente na segunda colocação. A ultrapassagem sobre Ralf, na entrada da reta dos Boxes, com um “x” executado após ampla batalha com o alemão da Williams, lhe trouxe o terceiro lugar no pódio.
Talvez a vitória mais amarga de Michael Schumacher, que foi recebido no parque fechado por Rubens Barrichello em um abraço marcante.
Michael teve liberação da FIA para não participar do pódio, porém ele subiu, ouviu o hino, chorou e obviamente, não estourou o champanhe. Na coletiva após a prova dos três primeiros colocados, Jean Todt o representou, e após algumas horas, a família Schumacher emitiu uma nota, com uma frase icônica:
“Ela gostaria que eu corresse. Tenho certeza”.
2004: A Honda volta a marcar pole: o domínio da Ferrari está próximo ao fim?
Data: 25/04/2003
Prova: 62 voltas, cada uma com 4,933m;
Pole: Jenson Button (B.A.R)
Vitória: Michael Schumacher (Ferrari)

A surpresa B.A.R
Ao iniciar a temporada, a B.A.R finalmente comprovava após 5 temporadas, a que veio. O conglomerado que iniciou o seu caminho na F1 em 1999 com uma associação de nomes de peso no automobilismo (Villeneuve, Reynard), após uma reformulação pesada, chegava ao então topo de seu desempenho. Em uma volta absurdamente agressiva, Jenson Button marcava uma pole histórica em vários pontos: Era a primeira pole da B.A.R na sua história, a sua primeira pole na categoria, e a volta da Honda enquanto montadora à pole position desde o Gp do Canadá de 1992, com Ayrton Senna. Sinais de novas forças na categoria?
Williams trazendo novas formas ao grid
Uma das grandes atrações da temporada 2004 foi o conjunto frontal da Williams BMW.
A autora do design foi a italiana Antonia Terzi, chefe do departamento de aerodinâmica da escuderia britânica desde abril de 2003. A F1 não via um carro com a parte dianteira com desenho tão radical desde o lançamento do modelo “tubarão” da Benetton em 1991, que curiosamente estreou também em Ímola naquele ano.
Porém, a ideia do design não é de Antonia. O estudo estava em pauta há alguns anos, e tinha sido engavetado na Williams por dúvidas com relação ao ganho aerodinâmico no chassis. Foi então que ela convenceu os dirigentes da equipe da inovação e trabalhou na nova peça até ela ir para a pista em 2004.
Até Imola, os resultados não eram animadores, visto que a Williams tinha acabado 2003 com vitória e ótimos desempenhos, especialmente com Juan Pablo Montoya

A F1 passando por uma crise sem precedentes
A F1 a essa altura, passava por uma crise econômica sem precedentes na história. Nessa temporada, a Jordan e a Minardi estiveram seriamente ameaçadas de não competirem. Ambas equipes com história formada na categoria, sofriam com o avanço dos custos, e o paddock se mexia para, além de conter os custos cada vez mais altos da categoria, motivar novas inscrições.
Uma das propostas na mesa para contenção dos custos era o abolir o pit stop (consequentemente, ter pneus mais duros, e em menor quantidade, atrapalhando também o domínio Ferrari/Bridgestone).

Toyota e Renault em temporada de afirmação
Enquanto as equipes pequenas se debatiam, a Toyota, com Cristiano da Matta e Olivier Panis tentava uma evolução do ano de 2003, onde o carro, que era considerado um Ferrari Nipônico, havia obtido seus melhores resultados da curta história. Porém, o clima dentro da equipe não era dos melhores: Mike Gascoyne e Cristiano da Matta não se entendiam, com o brasileiro reclamando muito da engenharia de suspensão da parte dianteira do TF104.


Já na Renault, o modelo R24 está dando esperanças a Fernando Alonso e Jarno Trulli. O casamento com os pneus Michelin está cada vez mais dando frutos e a distância dos carros de Enstone para a Ferrari era cada vez menor. A afirmação de Alonso contrastava com alguns muxoxos de Flavio Briatore com Trulli.
Nada de novo no horizonte, fora a pole de Button
Na prova, nada de novidade no inicio da temporada perfeita de Michael Schumacher. Na busca de sétimo título, o quinto consecutivo, nunca antes o alemão tinha iniciado uma temporada tão perfeita. A quarta vitória do ano veio com apenas o hiato das 8 voltas que Jenson Button liderou após a largada. Após isso, o domínio do F2004 nas suas mãos foi total.
Rubens Barrichello, ao contrário, sofria bastante com o carro, ao contrário do F2003. Partindo de uma longínqua sexta posição, apenas em uma volta durante toda a prova esteve entre os três primeiros. Os rumores do fim de seu contrato com a Ferrari aumentavam, e seu desempenho no início do ano ajudavam a criar cada vez mais rumores.
Numa prova sem maiores emoções, Schumacher vence novamente em Ímola (sua terceira vitória consecutiva, e a sexta no total até então. Jenson Button foi segundo colocado comprovando o ótimo desempenho da B.A.R Honda e Juan Pablo Montoya o terceiro com a Williams.
2005: A troca de bastão da categoria é iniciada
Data: 24/04/2003
Prova: 62 voltas, cada uma com 4,933m;
Pole: Kimi Raikkonen (Mclaren)
Vitória: Fernando Alonso (Renault)

Finalmente a Ferrari tem concorrência real?
A F1 iniciava 2005 com novidades em inúmeros pontos da categoria. A Williams se desfazia da problemática dupla Montoya/Ralf Schumacher e buscava Mark Webber da Jaguar, e Nick Heidfeld da Jordan. O piloto de testes era Antônio Pizzonia, que reencontrava Mark Webber após uma relação nada amistosa na Jaguar em 2002.

Montoya achou abrigo na Mclaren, porém, antes de começar a temporada, sofreria um acidente de moto dentro de uma quadra de tênis (N.R: Enquanto a versão oficial foi que o piloto colombiano sofreu uma queda jogando tênis, as versões mais concretas diziam que ele teria tido uma queda de moto) e nessa prova estava sendo substituído por Alexander Wurz;
Já Ralf Schumacher faria a nova e caríssima dupla de pilotos da Toyota com Jarno Trulli, nos lugares do demitido Cristiano da Matta e do aposentado Oliver Panis. Já no espólio da Jaguar, surgiu uma equipe que faria história na F1: Estreava de forma oficial a RedBull Racing, com motores Cosworth, e David Coulthard, vindo da Mclaren, como seu líder de projeto e Vitantonio Liuzzi sendo o aprendiz.


O primeiro indiano da categoria chegava pela Jordan: Narain Karthikeyan chegava ma categoria ao lado do português Thiago Monteiro, e Jacques Villeneuve ocupava a vaga de Giancarlo Fisichella na Sauber. O italiano mudou-se para a Renault.
Essa enorme mexida do grid trouxe junto uma mudança brusca de regulamento, onde o principal fato é a proibição de troca de pneus durante a prova, além de uma mudança (que foi curta) no modelo de treinos, onde eram somado os tempos de duas sessões classificatórias.
A discussão devido à nova ordem era imensa, principalmente pela questão segurança. Além disso, houve uma questão central: A Bridgestone perdeu equipes, e também a vantagem que tinha perante a Michelin, que se preparou muito melhor para esse momento do regulamento. Com isso, após seis temporadas, a Ferrari não tinha o melhor carro do grid. Ou pelo menos achava-se isso.
O F2005 nasceu mal. Problema para Schumacher em Ímola?
Mesmo largando de um inesperado 13º lugar, não era visto qualquer sinal aparente que Schumacher não tinha desempenho em Ímola.
Após a largada ser dada em pista úmida, o crescimento durante a prova do alemão deixava a arquibancada em pé, relembrando as suas grandes atuações do final dos anos 90 onde a Ferrari era pior que a Mclaren.
Contrastando com Rubens Barrichello, que em sua corrida de número 200 ficou pelo caminho na volta 18 por problemas elétricos, após 25 voltas Schumacher já era terceiro colocado, atrás de Jenson Button e de Fernando Alonso, e a partir da volta 50, iniciou-se uma batalha épica, onde a experiência e impetuosidade de Schumacher contrastou com um Alonso frio, calculando cada freada e retomada, tendo além do F2005, todo o autódromo contra si (coisa que ele pode saber como é ruim com Riccardo Patrese)

Vitória histórica de Fernando Alonso, sua quarta na carreira, e um ponto concreto como o piloto que está desafiando Michael Schumacher e sua até então imbatível Ferrari. Em terceiro, na pista, chegaria Jenson Button. Porém, os dois carros da B.A.R (o seu e de Takuma Sato) foram desclassificados por estarem abaixo do peso mínimo, numa situação que teve desdobramentos que causaram até suspensão por duas provas da equipe inglesa, coisa que não ocorria desde a Tyrrell em 1984. Com isso, para desespero de Montoya, Alexander Wurz foi alçado à terceira posição oficialmente após a prova. No pódio, o sorriso de Schumacher, que parecia anunciar a volta da Ferrari, contrastava com um nitidamente cansado, mas feliz, Alonso.
Seria ele o novo rei da F1?

2006: Batalha repetida, la vendetta de Schumi, despedida dos tifosi, e fim temporário de Ímola
Data: 23/04/2003
Prova: 62 voltas, cada uma com 4,933m;
Pole: Michael Schumacher (Ferrari)
Vitória: Michael Schumacher (Ferrari)

Após um 2005 onde as mudanças de regulamento e pilotos sacudiram a categoria e formaram um novo campeão, a F1 voltava a Ímola para uma despedida. As informações que chegavam é que o paddock da categoria já não comportava a atual F1: o espaço era diminuto, e que obras eram precisas.
Curiosamente, Monza, o outro autódromo italiano a receber provas também tinha cobranças de obras, e já era dado como certa a saída de Ímola do calendário após 27 anos da sua estréia na categoria principal. Aliado a isso, muitos países estavam pedindo passagem para sediar provas, todos com autódromos novos sob o desenho de Hermann Tilke, o homem forte da FIA para os desenhos dos novos circuitos. E a saída temporária de Ímola não poderia ter sido mais marcante.
Brasileiros em novas casas

Após seis temporadas em Maranello, e com um fim de contrato bem tumultuado, juntando com o desempenho ruim do F2005, Rubens Barrichello inicia a temporada 2006 na B.A.R ao lado de Jenson Button. A equipe, que havia soltado das amarras da Honda, um de seus cockpits tirando com isso Takuma Sato, trouxe Barrichello com a missão de levá-la às vitorias com frequência e disputar o título Mundial, visto que a ordem de forças da categoria estava bastante mexida nesse momento. As primeiras provas do ano traziam esperanças, e Barrichello fazia bons treinos classificatórios, mas ainda tendo problemas de ritmo de corrida.

E para o lugar de Rubens Barrichello, a Ferrari alça Felipe Massa para o cockpit ao lado de Schumacher, e ainda mais: Massa é o que a Ferrari traça para o seu futuro.
O jovem paulista, que após três anos na Sauber (com um hiato de um ano em 2002), ficou fazendo os testes para a Ferrari, era a esperança italiana de novos ares. Aliás, a chegada de Felipe foi bastante comentada, pois a Sauber em 2005 correu com um F2004 pintado de azul, branco e amarelo (vejam só que isso não é coisa nova, de RedBull e suas equipes B), porém com os pneus Michelin, o que causava estranheza a todos. Por outro lado, preocupação pelo feedback passado por Felipe à Ferrari, sobre os pneus franceses.
Sobrenome pesado estreando na categoria

A Williams, que havia perdido o motor BMW para 2006, trazia Nico Rosberg para seu cockpit. O filho do campeão mundial Keke Rosberg estreava na categoria como um dos prodígios das categorias de base, onde ele era um dos nomes mais badalados, juntamente com um rapaz chamado Lewis Hamilton…
O recorde de Poles de Ayrton Senna é quebrado. Em Imola. Por Michael Schumacher.

1.22.795. 0.193s mais rápido que Jenson Button (que aliás, tinha a mão de Ímola, sempre andando bem por lá). Com a volta que marcou no treino classificatório em Imola, Michael Schumacher fez toda uma simbologia acontecer naquele sábado ensolarado. Quis o destino que fosse justamente ele, justamente em Ímola, o primeiro piloto a quebrar o numero até então imbatível de 65 poles de Ayrton Senna. Nessa altura do ano, ainda não se falava em aposentadoria do alemão, mas o tempo já estava contra ele: Um jovem asturiano, matreiro, astuto e veloz lhe desafiava, porém, dessa vez, ele tinha conseguido impor mais de 0.9s de vantagem a Alonso.
Até aquele momento, Alonso vinha sendo praticamente perfeito. Ímola era a quarta prova do ano, e Alonso tinha duas vitórias e um segundo lugar, prova perdida para o seu companheiro Giancarlo Fisichella na Malásia. A prova de Ímola para A Ferrari era o “início” da temporada real, e um bom resultado poderia impulsionar a equipe em busca da retomada da dominância.
A F1 lembra de eras onde pilotos não eram totalmente prontos para a categoria: o caso Yuji Ide

Falamos acima que a B.A.R havia retirado Takuma Sato de seus cockpits, num movimento que juntou desempenho com novos rumos. Porém a Honda não deixou o pequeno Sato a pé: Montou-se uma estrutura secundária, com a capitania de Aguri Suzuki, para manter Sato na F1. Nascia a Super Aguri, com os chassis A23 da Arrows de 2002, novamente aproveitados. E nesse momento surge Yuji Ide.
O piloto japonês, então com 31 anos, foi anunciado em 16 de Janeiro, para espanto da grande maioria do mundo automobilístico, como companheiro de Takuma Sato na Super Aguri. O piloto, vice-campeão da Fórmula Nippon em 2005, já vinha com dificuldades desde os testes de pré-temporada, sempre muito mais lento que Takuma Sato, num carro que era certamente o mais lento do grid. Porém, a carreira de Ide acabaria após algumas curvas em Imola.
O vôo de Albers, e a vendetta de Michael: Imola se despede em altíssimo estilo

A largada é dada com Schumacher abrindo bem, Button em segundo, Massa e Alonso, que passa Barrichello na largada. Até a chicane Villeneuve tudo certo, até que ao fundo do grid, vê-se poeira, e um carro voando: Christijan Albers, da Midland, é jogado para fora por Ide, capotando várias vezes na brita. A ação é acompanhada nos boxes num misto de revolta com incredulidade: Há muitos anos a F1 não sofria com pilotos de capacidade abaixo do necessário para a sua pilotagem, e Ide comprova definitivamente que está nessa situação.

Felizmente o holandês sai bem do carro, e Ide volta aos Boxes, revisa o carro, e vai até a volta 23, quando desiste e nunca mais é visto na F1: A Fia primeiramente repreende o piloto, e, sendo pressionada pelas equipes, suspende sua superlicença. Ide seria substituído pelo francês Franck Montagny a partir da prova de Nurburgring.
Passado o susto, a prova é bastante movimentada, e nota-se uma inversão do cenário de 2005: Alonso recupera-se muito bem e vai chegando em Schumacher, até que na volta 45 estão em posição de batalha. São 6 voltas a mais que Schumacher teve em 2005 para tentar passar Alonso. A batalha é dura, e em vários momentos, especialmente na Tosa, Schumacher e Alonso quase bateram. Porém o destino entregou a vendetta a Michael, que venceria a primeira prova do ano, com Alonso em segundo e Montoya, que no ano anterior viu Wurz marcar pódio no seu carro, em terceiro. Na sua primeira prova em frente aos tifosi, Massa é o quarto colocado.

Foi a despedida de Ímola no formato que conhecemos. O autódromo passou por enormes mudanças e obras, como por exemplo a eliminação da variante baixa antes da reta dos boxes, com a saída da Rivazza se unindo direto a reta dos Boxes

Ímola voltaria a receber a F1 a partir de 2020, com o nome de Gp da Emilia Romagna, região onde o autódromo está localizado. Mas isso é outra história! Muito obrigado a todos que vieram até aqui, saboreando toda a historia de Imola, e continuem acompanhando os posts e programações do Graining and Marbles! Abraço!