É preciso ponderar, de primeira, que quando uma instituição pintada de vermelho vence, não é simplesmente uma vitória. Estamos falando de uma longa história, e que por motivos que todos os fãs bem conhecem, esteve passando por um intenso exame de consciência e estrutura nos, pelo menos, últimos dois anos.
Chegar a este ponto, de ter carisma e carro para estar a frente, é mérito de uma paciência que a Ferrari jamais teve em outras crises. Os problemas no fim dos anos 1960, o pífio início de década de 1980, a temporada de 1986, os embustes entre 1992 e 1995, nada se compara ao trabalho do que foi recuperado em Maranello neste período e que, passados os assombros dos testes, comprovam que a casa rossa tem carro, tem pilotos, tem estrutura e está renovada.

O atestado da vitória de Charles Leclerc, quase que dominante com uma performance consistente desde os treinos até a bandeirada, é o maior comprobatório disto. O monegasco é piloto bom, sabe brigar, é rápido e, talvez, seja o passo que precise para reverter a briga interna com Carlos Sainz Jr. nos destinos da Ferrari. Noves fora, a volta de Maranello as boas causa sorrisos, dá um ar de expectativa que o ano será diferente, com uma briga nova e bem mais acirrada.
A Ferrari tem se preparado para voltar a ponta, e se o novo regulamento é esse pulo do gato que tanto esperavam, o momento é de aproveitar. O problema é, e deve ser o maior problema: manter o ritmo acompanhando as mudanças que times como Red Bull e Mercedes devem promover, mesmo com as maiores restrições da FIA. Fora isto, é total responsa dos italianos fazerem por merecer a posição, desde que acompanhem a humanidade em volta.

Foi um grande fim de semana, com belos pegas (sobretudo o embate entre Max e Charles), surpresas, muitas decepções (sobretudo dos times ingleses tradicionais) e momentos totalmente imprevisíveis, que envolvem sobretudo o time dos touros e sobre o que, de fato, é um problema com combustível… Mas tudo isto fica para mais detalhes após Jedá, quando o G&M faz sua primeira grande análise em podcast do ano.
E cá pra nós, que hino legal tem Mônaco! É melhor a gente ir se acostumando com ele…