Olá pessoal! Tudo bem? O DNQ volta ao seu habitat, falando sobre o final de semana da F1, com os passeios da Red Bull em Mônaco e Barcelona. Porém, antes do padrinho dessa coluna, o famoso DNQ, vamos fazer uma pequena explicação.
Como vocês devem ter notado, estamos montando o Documento Ímola, que alias começa aqui, com a historia de todos as provas que ocorreram no tradicional circuito italiano. Entretanto e quase que literalmente, o documento foi por água abaixo: o cancelamento do GP devido as chuvas torrenciais na região de Ímola, causando enormes problemas para a população, nos fez pausar a produção do especial, mas, não encerra-lo.
Vamos terminar ele com calma e vamos publicar a série completa. Fiquem tranquilos. Pós-explicação, vamos ao padrinho da semana: o queridinho de alguns malucos, Rene Arnoux! O francês estava no ocaso de sua carreira cheia de polêmicas e, para piorar a situação, vinha desde 1986 numa Ligier totalmente perdida tecnicamente. Após a saída da Renault, ao fim do mesmo 1986, a equipe de Vichy usou três motores diferentes em em três temporadas: o BMW-Megatron em 1987 (que deveria ser Alfa Romeo), o Judd em 1988 e basicão Ford de todos os times para 1989.
Em um chassis que acho lindo (e traz boas lembranças do álbum da F1 1989, onde essa foto tinha grande destaque), René acabou fora do grid da estreia da temporada, com o tempo de 1:31.376, 0,4s atrás do compatriota Phillipe Alliot, o ultimo do grid de largada em Jacarepaguá. Sinais de que a má fase de Guy Ligier parecia não ter fim ainda naquele ano.

O passeio de Mônaco
Voltamos a 2023: E quem para a Red Bull, hein? Não há o menor sinal de que os touros tenham qualquer tipo de concorrência para a temporada vigente. Os passeios nas tardes de Mônaco e Barcelona, com domínio absoluto na prova, provam que mais uma vez Adrian Newey fez uma maquina absolutamente sob medida para a pilotagem de Max Verstappen.
O que impressionou no fim de semana, principalmente monegasco, foi a pole do holandês, que classifico como uma das poles mais sensacionais que vi ao vivo nesses 36 anos (não, não sou velho, sou experiente!) de F1. Alias, 32 anos, já que as classificações datam de 1991.
As marcas nos pneus do Red Bull mostram o quanto Max flertou com o desastre, mas arriscou o suficiente para buscar uma pole que parecia fadada a ser de Fernando Alonso. Inclusive, com mudança de trajeto na reta do boxes onde todos, até aquele momento, faziam o traçado aberto. Max criou o seu traçado, junto ao muro, e trouxe uma pole absurda por 0.084s.

E no domingo, bem, após a F1 vir de Ímola sem ter a prova devido a chuva, parece que as nuvens ficaram coladas em algum dos motorhomes do circo, pois a chuva em Mônaco era prevista e chegou durante a prova, entrando no circuito na parte antes do Túnel e depois se espalhando por todo traçado. Enquanto a maioria se enrolava, rodava, virava peça de pinball (correto, Sr. Stroll?) Max navegava tranquilo pelas ruas de Monte Carlo. Vitória justa de quem sequer foi ameaçado durante o domingo.
No box ao lado, decepção: o então rei das ruas Sergio Perez fez um fim de semana patético e ainda causou um dos maiores fatos do fim de semana para as outras nove equipes. Ao ser içado depois de bater o carro na Saint Devote no inicio do treino classificatório, o carro de Checo revelou a imagem que correu o planeta: o assoalho do RB19 pintado em óleo em tela por Newey, Adrian.
No outro box a decepção era maior: A Aston Martin perdeu uma chance de ouro de vencer uma prova. Começando pelo sábado, onde a pole de Fernando Alonso parecia garantida (e a confiança que Alonso seguraria Max), e em pouquíssimos segundos acabou o sonho. No domingo, uma decisão no mínimo polêmica no momento da chegada da chuva, onde Alonso e a equipe acabaram parando e colocando pneus de seco. A equipe e o asturiano dividiram a culpa e talvez sabem que, não terão uma oportunidade dessas tão cedo.
Além disso, boas novas na Mercedes: Aparentemente o projeto zeropod foi encerrado, e ninguém esperava que, logo em Mônaco, estrear um pack tão diferente traria resultados, mas trouxe. A equipe foi equilibrada e consistente, só perderam o lugar no pódio para o surpreendente Esteban Ocon, que fez talvez o melhor final de semana desde a vitória em Budapest, em 2021. Um desempenho que comprova que a Alpine parece ter achado um caminho de desempenho, aguardando ainda se Pierre Gasly (sétimo) também subirá de produção.
A McLaren apareceu de pintura nova, em homenagem a tríplice coroa do automobilismo (Le Mans, Mônaco, e Indy 500), e conseguiu duas posições de pontos, com Norris em nono e Piastri em 10º. Já a Ferrari… mais uma prova desastrosa, problemas de toda monta, e Leclerc sendo o melhor do lado rosso, em sexto. Sainz foi apenas o oitavo, com mais de 1 minuto de desvantagem para Verstappen. A chacota só aumenta, pelo menos só no lado da F1.
No fim do grid, problemas e problemas: a Alfa Romeo segue sua temporada guiada pelo vento, apesar de uma prova até consistente de Guanyu Zhou (13º). A Alpha Tauri sofreu com problemas de freios no fim de semana todo, a Haas comprova que tem um carro bom de treino e péssimo de provas, e a Williams fez uma certa diversão: também foi içada, e o assoalho da equipe chamou a atenção pela simplicidade total.
O vesperal catalão
A F1 foi para Barcelona, onde sempre sabemos que a prova é muito clara nas posições das equipes. Esse ano tinha um porém. Alias, vários:
- As ultimas curvas do circuito voltaram a ser as originais de 1991. Duas curvas a direita em descida
- Os testes de pré temporada não foram no autódromo. O que poderia trazer alguma mudança
- O GP está em uma data muito mais tarde que o normal: geralmente em Abril, a prova foi empurrada para inicio de Junho, o que mexe também na temperatura da pista.
E, o fator chuva: as nuvens continuam seguindo o circo. E, novamente, se posicionou decisivamente na montagem de grid, claro do pole para trás, porque Max Verstappen – com a sua imbatível Red Bull – dominou, sem qualquer surpresa, a pole e a prova, com direito a largar com tática de pneus invertida em relação a parte frontal do grid, e domínio total do fim de semana: 1º no TL1, TL2, TL3, classificação e em todas as voltas da prova. Que Grand Chelem!

Uma vitória acachapante que deixa claro a Sérgio Perez onde é localizado perfeitamente a posição de segundo piloto: o sonho da disputa direta de título acabou! (fato, alias, cobrado por Nico Rosberg a Christian Horner pós prova, rendendo uma resposta absolutamente acida, e ao meu ver, correta do chefe taurino). Largando de 11º, o mexicano até fez uma prova bem agressiva chegando ao quarto lugar.
A Espanha estava na segunda colocação, mas surpreendentemente com Carlos Sainz e sua Ferrari, e ele era a única a largar do grid: Após um treino horroroso, com direito a uma 19ª colocação de fato e direito no grid, Charles Leclerc largou dos pits, e foi envolvido em um fato grotesco durante a corrida: foi sumariamente ignorado pela equipe, que lhe informou o uso de pneus duros no pit stop, e ao pedir pneus macios, Leclerc já no pit lane recebe a informação que iam colocar os pneus duros e ponto final.
Lando Norris foi a grata surpresa do treino: A chuva compareceu ao circuito durante a sessão, e claro, que Norris apostou em acerto meio seco, meio chuva. E um detalhe denunciava: a McLaren era 20 km/h mais lenta que a Red Bull na longa reta de Barcelona. Até Oscar Piastri passou para o Q3 o que deu um ar de esperança aos torcedores da equipe de Zak Brawn, que logo acabou na primeira curva, onde Norris tocou Lewis Hamilton e quebrou o bico, caindo para ultimo. Sem velocidade final, ficou por la boa parte da prova. Já Piastri foi 13º e levou uma volta de Verstappen.

E você diria: cadê Fernando Alonso e sua Aston Martin? Pois então: Uma saída de pista no começo do Q1 danificou o assoalho do seu carro e lhe podou qualquer possibilidade de briga no sábado e no domingo. E isso também lhe deixou numa situação de prova complicadíssima, arrancando apenas a sétima colocação ao fim da prova. O fim de semana ruim da equipe se completou com mais uma prova apagadíssima de Lance Stroll, que apesar do sexto lugar, teve como destaque a entrevista pós prova onde demonstra que a pressão na equipe começa a crescer. E, para complicar ainda mais, a próxima prova dele é em casa.
Já na Mercedes, novos ares: aparentemente o pack do novo sidepod e suspensão funcionou em Barcelona e trouxe alguns décimos a Lewis Hamilton e George Russell, sem antes eles se envolverem em um toque durante o quali que quase acaba em um grande acidente. Culpa da comunicação da equipe com ambos, mas que causou talvez a perda da primeira fila de Hamilton. Já Russell acabou caindo no Q2, mas com ritmo para passar ao Q3. Na prova, ambos tiveram um desempenho muito satisfatório, trazendo um pódio duplo que sinceramente, nem eu, nem você nem Toto Wolff esperavam.

Na Alpine, consistência em ser a quarta equipe do ano: Ocon e Gasly lutaram o fim de semana todo pelas posições de Q3 e acabaram em oitavo (Ocon) e 10º (Gasly) pontuando o suficiente para se separar cada vez mais da McLaren.
No fim do grid: Surpreendentes dois pontos para Zhou, o nono, trazendo algum sorriso mesmo que pequeno na Alfa Romeo. Na Alpha Tauri, a nota é que De Vries, 14º, segue muito pressionado, chegando a rodar três vezes na classificação; e Tsunoda, 12º, dando mais um chilique (que alias estávamos com saudades), e lutando com o carro.
A Haas, com Nico Hulkenberg em 15º, teve um destaque no TL3 com a terceira colocação, mas uma prova muito abaixo novamente. Magnussen, 18º, esteve apagado o fim de semana inteiro assim como a Williams, que só cumpriu tabela com Albon, 15º, e com Sargeant, que até teve um destaque pela saída forte na ultima curva do circuito durante o treino, lhe tirando do grid e com isso causando a 20ª colocação na prova
Por hoje é isso pessoal, voltamos logo logo! Abraços a todos!