Dobradinha vermelha, polêmicas e Verstappen perto do tetra

Um mês após a vitória dominante de Lando Norris em Singapura, a F1 voltou a se reunir no Texas para o GP dos Estados Unidos. Para manter viva sua chance de título, Norris precisava seguir o embalo de sua última atuação e tentar emendar uma sequência de vitórias. Porém, o período de férias e o fim de semana de Sprint colocaram armadilhas no meio do caminho.

A temporada 2024 de F1 chega em sua reta final. Após um mês sem corridas o grid voltou a se reunir em Austin, no Circuito das Américas, para o início de uma rodada tripla, que seguirá no continente americano com as provas do México em 27 de Outubro, e o GP do Brasil, digo, São Paulo, em 3 de Novembro. Três finais de semana de corridas seguidos, e ainda no fim de Novembro teremos a prova em Las Vegas, fechando o quarteto de provas americanas.

Mas se as férias foram uma boa oportunidade para descansar, certamente quem não gostou nada dessa pausa foi Lando Norris. O britânico segue em sua busca para reverter a diferença para Max Verstappen, e após a vitória dominante em Singapura, tudo que queria era uma prova já no fim de semana seguinte.

Não só não havia corrida no fim de semana seguinte, como houve esse novo intervalo de um mês para a prova em Austin. Só que com uma diferença crucial em relação a pausa do meio do ano: dessa vez as equipes puderam mexer em seus carros, e as atenções estariam voltadas para a Red Bull, que certamente traria atualizações para tentar reverter o quadro das provas recentes, onde foi dominada.

Verstappen e Norris continuaram seu duelo pelo título em Austin.

SPRINT

Os efeitos das mudanças trazidas pelas equipes puderam ser vistos logo de cara, na corrida Sprint. Max Verstappen mostrou novamente que é o mestre desse tipo de evento, cravando a pole (mesmo que por uma mínima diferença de 0,012s sobre George Russell da Mercedes). 

Porém, se o treino para a mini prova foi disputado, na corrida Verstappen tratou de dominar com tranquilidade a situação, largando bem e controlando a distância para não danificar os pneus. Em segundo lugar, após intensa batalha com seu companheiro de equipe aparecia Carlos Sainz, mostrando um ritmo surpreendente da Ferrari, que deixou até mesmo Verstappen impressionado.

Lando Norris largou bem de seu decepcionante quarto lugar mas só conseguiu o terceiro posto, “minimizando o prejuízo” segundo suas próprias palavras, mas levantando desconfianças de que a McLaren teria errado ao trazer mais atualizações para a prova Texana.

No derradeiro momento da Sprint: Norris frita pneus e permite a ultrapassagem de Sainz, em grande forma na prova.
Os pilotos com Sting na premiação pós Sprint. Vocalista do The Police marcou presença em Austin.

QUALIFICAÇÃO

Mas se a Sprint havia deixado a sensação de que a McLaren tinha perdido força, o treino classificatório para a corrida principal apagou essa impressão. Lando Norris mostrou excelente forma e cravou a pole provisória em sua primeira tentativa no Q3.

A briga da Pole empolgava, com Verstappen em segundo, e até Carlos Sainz aparecia como um postulante ao primeiro posto na grelha. Ninguém ainda havia dito sua última palavra e Verstappen começou sua volta decisiva baixando quase 2 décimos no primeiro setor. Porém, tudo ficou no “Se”. No setor 3, George Russell perdia o controle de sua Mercedes numa rodada estranha, e cravava o bólido prateado nas barreiras. Um treino difícil para as flechas, que viram Hamilton eliminado…no Q1!

Com Bandeira Amarela, a pole era de Norris, mas ele teria Verstappen ao seu lado. Sainz largaria no terceiro posto, e Leclerc fecharia a segunda fila toda vermelha. Apesar de ter sido superado por Sainz, Leclerc largaria pelo lado de dentro, algo que poderia ser muito vantajoso na prova…

Piastri era o quinto, mas estava em fim de semana apagado, Russell tinha o sexto tempo, mas seu carro precisaria de reparos após a batida e ele largaria dos Boxes.

INTELIGÊNCIA DE LECLERC 

Com Verstappen e Norris na primeira fila, a única garantia possível é de que os dois bateriam roda de alguma forma na primeira curva, ainda mais na espaçosa curva 1 do Circuito de Austin. E foi exatamente isso que aconteceu, com Norris pulando bem da pole, mas com Verstappen atacando com tudo pelo lado de dentro. 

Os dois foram para a dividida, com Verstappen deixando pra frear totalmente no limite, sem deixar espaço para Norris, que acabou passando por fora na curva. Enquanto os dois postulantes ao título se enrroscavam, Leclerc via tudo de camarote e aproveitou o generoso espaço deixado por Verstappen no lado de dentro para tomar a ponta da prova. Carlos Sainz quase conseguiu repetir seu colega, mas Verstappen pôde se recuperar e manteve o segundo posto. Ao final do primeiro giro, Leclerc liderava com alguma folga para Verstappen. Sainz em terceiro, e Norris, amargando o grande prejuízo na largada, em quarto.

Daí para frente, nada ficou no caminho de Leclerc, que impôs um domínio surpreendente na prova, cuidando bem dos pneus e com a Ferrari apenas tendo de evitar algum eventual “undercut”. Vitória tranquila, e coroada com Sainz parando mais cedo para ganhar a posição de Verstappen, fazendo a dobradinha vermelha.

Festa vermelha em Austin. Ferrari ainda sonha com título de construtores.

Mas se pra Ferrari foi tudo simples, atrás dos dois, a briga pelo pódio ferveu. Após a rodada de pits (a única da prova, contrariando mais uma vez as previsões da Pirelli) Verstappen se viu em terceiro, com Lando Norris em quarto. Porém a McLaren tentou a tática de alongar o primeiro stint, para ter pneus mais novos na parte final da corrida. Resultado: Norris pouco a pouco destruiu a vantagem do holandês, e chegou para mais um dos duelos marcantes dessa temporada.

Foram voltas empolgantes com uma briga roda a roda entre os dois líderes do campeonato. Norris tinha mais ação nas curvas, mas parecia faltar velocidade final na reta dos Boxes. E claro, Verstappen mostrou todo seu repertório de defesa pessoal, que há tanto tempo gera admiradores e críticos. 

Com Max sempre fechando a linha de dentro na curva 1, Norris buscou uma alternativa, e ela apareceu na curva 12. Lando veio com mais ação, mas por fora, e tentou a manobra, porém, Verstappen deixou para frear ainda mais tarde, garantindo que estaria à frente no ápice da curva, tendo assim o direito de fazê-la sem ter de dar espaço para o adversário. E ele não deu espaço mesmo, com Norris fazendo a ultrapassagem por fora da zebra, basicamente espremido pelo holandês para fora da pista. O piloto da McLaren conseguiu concretizar a ultrapassagem, mas logo começaram especulações de que poderia haver alguma punição.

O ERRO DA MCLAREN

Com seus pneus mais desgastados, Verstappen tratou de manter-se a uma distância menor do que 5s em relação a Norris, com a equipe Red Bull lhe informando pelo rádio que o ás da McLaren provavelmente levaria uma punição por ter ultrapassado por fora da pista.

A McLaren, totalmente equivocada, apostou que a punição não viria. Teria sido muito mais inteligente mandar Norris devolver o terceiro lugar para Verstappen e assim evitar a punição, com voltas restando na corrida para tentar a ultrapassagem novamente. Nada disso foi feito pela equipe, e Lando cruzou a linha de chegada em terceiro, mas insuficientes 4,058s à frente do holandês. A punição veio, e Norris acabou classificado em quarto.

O Apex da discórdia em Austin: Verstappen está à frente na tangente, essa foi a base para decisão dos comissários.

Desnecessário dizer o tamanho da polêmica gerada. O debate ficou acalorado e muitos analistas (a maioria, obviamente britânicos) pediu por uma revisão do código de conduta de pilotagem, pois a visão é de que Verstappen usa essa regra a seu favor, deixando para frear muito além do necessário, sem preocupação em necessariamente fazer a curva, apenas para estar à frente no ápice da tangente.

Se algo será modificado para o ano que vem, e o quanto mais esse duelo pode repercutir nas atuações de pilotos e comissários nas próximas etapas, só o tempo dirá.

Porém, o equívoco da equipe McLaren (mais um nessa temporada) também deve ser apontado. A situação obviamente indicava uma punição, e o time cometeu um erro juvenil ao não pedir para Norris devolver a posição. Haveria tempo para tentar a ultrapassagem de novo. Também é válido notar novamente o fato de que Norris não conseguiu se aproveitar de sua pole, e foi “dominado” no combate direto contra Verstappen…

MERCEDES: ATUALIZAÇÕES DIFÍCEIS

O duelo pelo título envolve Red Bull e McLaren, mas havia a expectativa de que a Mercedes pudesse voltar muito bem dessas férias e se tornasse uma terceira força mais definitiva nesse confronto. Porém, o quê se viu do time das flechas em Austin foi preocupante: as atualizações trazidas para os carros de Lewis Hamilton e George Russell tornaram o bólido muito traiçoeiro em algumas curvas de alta, resultando em rodadas dos dois pilotos: no Q3, Russell perdeu o controle do seu W15 e parou no muro de proteção.

George Russell: acidente nos treinos e largada dos boxes, mas boa recuperação para fechar a prova em sexto.

Na corrida, Hamilton, que havia partido de forma excelente de seu décimo-oitavo lugar e já era décimo-segundo após a primeira volta, perdeu o controle do carro no mesmo lugar em que Russell, abandonando a prova encalhado na caixa de brita. Digno de nota o desânimo de Lewis nesse início de reta final com a equipe, e também o ar de preocupação do “team” com as atualizações.

Hamilton fora da prova na segunda volta: atualizações da Mercedes tornaram o carro muito mais arisco.

NOVATOS QUEBRAM ZONA DE CONFORTO

Os fãs de F1 vinham reclamando muito da falta de sangue novo numa categoria que parece ter interesse em manter os mesmos nomes, além de uma evidente dificuldade de alguns jovens pilotos se adaptarem aos bólidos de efeito-solo.

Bom, alguém esqueceu de avisar sobre essas dificuldades para o argentino Franco Colapinto, que chegou na Williams para substituir o pífio Logan Sargeant e em apenas 4 provas já tem cinco pontos em seu nome, contando com o décimo lugar conseguido em Austin.

Franco não se intimidou nem com o desafio da F1, e muito menos com seu companheiro de equipe Alexander Albon, que vinha sendo exaltado como alguém que levava o carro da tradicional equipe aos limites, mas agora vê suas performances sendo colocadas em perspectiva: será que ele é realmente bom, ou apenas a ruindade de Logan Sargeant o fazia parecer melhor do que realmente era?

Surge uma nova estrela? O argentino Franco Colapinto é a sensação da F1 na reta final de 2024.

Situação parecida começa a viver o japonês Yuki Tsunoda, que já sente saudades do sorridente Daniel Ricciardo.

A equipe “Visa Cash App” RB segue sua política de moedora de pilotos, trazendo agora Lian Lawson para o segundo carro. O jovem neozelandês teve de largar do décimo-nono lugar por conta de uma troca de componentes do motor, mas isso não o impediu de realizar uma atuação de destaque, superando Tsunoda na pista rumo ao nono posto,  garantindo 2 pontos em sua primeira corrida na temporada 2024, enquanto seu companheiro de time ficou se perguntando como aquilo era possível, antes de dar uma rodada constrangedora, típica de quem está desestabilizado.

CLASSIFICAÇÃO APÓS AUSTIN

PILOTOS (TOP 10):

  1. M. Verstappen – 354 pts
  2. L. Norris – 297 pts            
  3. C. Leclerc – 275 pts
  4. O. Piastri – 247 pts
  5. C. Sainz – 215 pts
  6. L. Hamilton – 177 pts
  7. G. Russell – 167 pts
  8. S. Pérez – 150 pts
  9. F. Alonso – 62 pts
  10. N. Hulkenberg – 29 pts

CONSTRUTORES:

  1. McLaren-Mercedes – 544 pts
  2. Red Bull-Honda – 504 pts            
  3. Ferrari – 496 pts
  4. Mercedes – 344 pts
  5. Aston Martin-Mercedes – 86 pts
  6. Haas-Ferrari – 38 pts
  7. RB-Honda – 36 pts
  8. Williams-Mercedes – 17 pts
  9. Alpine-Renault – 13 pts
  10. Kick Sauber-Ferrari – 0 pt

Vamos esperar pra ver se os veteranos conseguem responder a altura na próxima corrida, o GP do México, dia 27 de Outubro.

Até a próxima, e não esqueça de acompanhar o Graining & Marbles nas redes sociais!

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