Domínio, impotência e sono em Baku

Então, a gente espera que as ruas de Baku sempre nos tragam alguma surpresa fora de qualquer curva possível. Mas, em se tratando do entreguismo de Maranello, acho que esse domingo foi bem monótono pelos lados do Cáspio, em grande parte pelo quase estabelecido domínio que os touros austríacos vem colocando em cima da concorrência: não basta vencer, tem que ter dobradinha, dança na cara do rival, demonstração de superioridade do “novo” contra o “clássico”.

Assim, Max Verstappen faz das suas e anota mais uma vitória para si, esta que veio com uma certa displicência na parada de box de Sergio Pérez, outra vez andando muito bem em Baku e se candidatando a vitória mas sendo seguro pelas palavras abaixo dos panos do controle da própria equipe. Foi mais um passeio, e a Ferrari segue sua impassibilidade agoniante: não reage, sucumbe aos problemas e demora em dar sinais de, ao menos, estar fazendo algo.

Motor de Leclerc se vai em Baku. Quando a Ferrari vai reagir? (GettyImages)

Não que seja um alerta eminente a Ferrari, mas o fato de não reagir assusta. A demora nas decisões parece comportamento padrão e frustra quem esperava ter um campeonato parelho ainda no começo do ano. Não há um movimento visível, a direção parece perdida e Charles Leclerc sozinho e levantando a voz não adianta muito diante de uma massa morta de ineficiência.

Não basta ser “bom”, é preciso achar condições de se manter no topo ou recupera-lo. Os meus temores quanto a derrocada da Ferrari estão concretos, temos um domínio se construindo, lamentavelmente.

Em uma frase:

– George Russell segue carregando a Mercedes nas costas e abaixo de quiques. Outro pódio, muito festejado, enquanto Hamilton sente as dores das pingadas

– Ok, Pierre Gasly fisgou um ótimo quinto lugar depois de corridas e corridas desaparecido no bolo. Fora isso, ainda se espera saber para onde o francês vai, porque na F1 só mesmo a fórceps para abrir uma porta de futuro.

– Surpresa para mim ver Sebastian Vettel, discreto e cumpridor, arrematando o sexto lugar. A Aston Martin continua decepcionante e difícil de evoluir na briga da frente, mas ao menos o alemão faz o seu.

Hamilton e as dores: o porpoising alucinado do W13 cobra o preço no físico do multicampeão (GettyImages)

– Fernando Alonso, 22 anos de F1 e contando. Será que ele para este ano de vez ou ainda tem lenha para uma temporada mais na categoria? Dentro do que a Alpine lhe entrega, chegou em sétimo e está feliz

– E olha só: Daniel Ricciardo a frente de Lando Norris! Mas não se empolgue, é só um oitavo lugar discretíssimo como toda a atuação da McLaren nas últimas corridas

– E uma pena, a Haas já começa a sentir o mal de não ter cascalho pra atualizar o carro. Pena para Kevin Magnussen, que rema o que dá e ainda sofre com as deficiências recentes do engenho da Ferrari

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