F1 2023 (Mercedes): O mais aguardado de 2023, de volta ao preto (e a briga?)

(POR: Douglas Sardo)

Desnecessário dizer que o lançamento do W14, a arma da equipe Mercedes para a F1 2023 era o mais esperado para os fãs da esquadra de Brackley, Lewis Hamilton, George Russell, Toto Wolff e ilustre companhia. Para quem torce por uma boa briga pelo título e não necessariamente é do fandon prateado, esse carro também é o mais importante.

Afinal, após mais um fiasco lamentável da Ferrari no ano passado, fica difícil imaginar que o team vai ter forças para lutar pelo título até o final da próxima temporada. Assim, as esperanças de uma disputa acirrada estão depositadas nos ombros das flechas negras! É, seja por estilo, por recado, ou por necessidade de perder peso, a Mercedes está de volta com seu belíssimo “black style”.

Mas apenas uma mudança nas cores não basta para encarar o desafio da nova temporada. A montanha que os comandados de Toto Wollf tem para escalar é grande: são raros os casos na história da F1 em que um time vêm de uma temporada com apenas uma vitória e chega ao título. E nas poucas ocasiões em que isso aconteceu, normalmente a virada veio através de uma mudança de regulamento muito grande, a qual não teremos dessa vez.

É muito cedo para avaliações mais profundas, mesmo para os especialistas mais dedicados. Mas pelo que foi dito do carro até aqui, é justo dizer que a Mercedes se dividiu: em partes, copiou a filosofia da Ferrari na asa dianteira, também um pouco da tampa do motor. mas manteve a originalidade dos polêmicos “zeropods” do ano passado. O veredito é que não foram as laterais do carro que geraram os problemas de porpoising que tanto atrapalharam Hamilton e Russell, mas sim uma questão de peso do carro combinado com um excesso de flexibilidade no assoalho.

Isso não quer dizer que as laterais do carro não mudaram: o conceito do “zeropod” continua, mas com algumas alterações com o objetivo de administrar o ar sujo gerado nos pneus dianteiros, um problema que cada equipe ataca de forma diferente. A continuidade desse conceito também gera duvidas sobre o arranjo dos radiadores, que deve ser um tanto diferente dos outros concorrentes. Alguns analistas entenderam que o time teve tantos problemas ano passado por conta de sua filosofia tradicionalmente muito orientada para um “ultra-downforce”.

Portanto, muitas especulações surgem de que uma nova direção tenha sido tomada nesse sentido, também para evitar o alto nível de arrasto gerado pelo W13. Mas o jornalista e analista técnico Craig Scarborough afirmou, em sua participação no canal de Peter Windsor no YouTube, que o time não deve ter abandonado muito sua tradicional filosofia. Ou seja, o carro de 2023 deve ser projetado para grudar o máximo no chão, gerando doses cavalares de downforce, sem muito “high-rake”.

Resta saber se as mudanças que o time implementou em diversas áreas do carro – asa e suspensão dianteira, asa traseira, sidepods e outros – serão suficientes para dominar os problemas que minaram suas chances no ano anterior. De uma coisa todos estão certos: as principais alterações para fazer a diferença também estão no assoalho, mas isso vai ficar escondido de todos, pelo menos por enquanto.

Quanto aos pilotos, a promessa de muito trabalho dentro do cockpit a cada corrida, mesmo que ainda não vimos uma disputa, digamos, clara sobre a posição de honra dentro da equipe. Hamilton parece não ter sentido o baque do ano complicado e aparenta uma certa tranquilidade mesmo com as recentes ameaças de censura nas declarações e manifestações dos pilotos, que o fizeram declarar que “sem isso, valeria mais parar de correr”.

Enquanto o sete vezes campeão aparenta serenidade, Russell deverá mostrar ainda mais do que conseguiu no ano passado, quando chegou a ser o principal carro de Brackley na pista e, até mesmo, acabou o ano com a única vitória do team, a primeira e tão esperada desde o fracasso do Barhein em 2021. E se a máquina for, ao menos, melhor que o ano passado, George pode aprontar bem mais, já que andar em carros ruins pareceu ser sua especialidade mais notável, e o fez bem.

Enfim, a volta ao preto marca a volta a guerra, pelo menos para Toto e seus comandados. Resta vez que o ponto foi acertado desta vez e que isso, de alguma forma, signifique a volta a briga para a marca da estrela de três pontas. Aguardemos…

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