A pergunta é a mais clichê possível em uma situação dessa: quem para Max Verstappen?
Depois deste domingo, eu realmente não faço ideia, como qualquer um que acompanha a peleja de 2023 da F1 com mais afinco que pensa o mesmo. O holandês dá, sempre que possível, as provas de que, de fato, é um cidadão maduro em meio a outros 19 botas no grid. Veloz, comedido quando necessário, executor das estratégias mais precisas, subvertedor da lógica que parecia o padrão de tudo.
Foi assim que ele transformou a prova da Flórida, em que se esperava evidente a habilidade de Sergio Perez em pistas de rua, num verdadeiro passeio no parque mesmo partindo da nona posição. Agressivo quando a situação pediu, passando com facilidade quem aparecia na frente, e preciso para executar a mais improvável estratégia de pneus, driblar Checo e faturar o dia.

O golpe é evidente, sobretudo quando se pensa que a Red Bull teria uma briga entre seus iguais. Mas não se permite ilusão: Checo só pode mesmo encarar seu par se tiver a capacidade de ler a corrida e ter a agressividade latente do campeão, o que não provou estar apto se somarmos, ainda, o fato de que deixou-se cair na imatura visão de estratégia padrão, a única que os 19 como ele estavam vendo.
Mas fora este vesperal holandês, nada mais impressionante na pista. Alonso em terceiro (coisa normal por hora), sobes-e-desces da Ferrari, o martírio de Mercedes e Alpine e algumas interessantes brigas de teimosos e seus carros menos potentes. Admito: esperava mais do que o sono que me abateu nas voltas em Miami, recebi apenas Max Verstappen puro, sem mais.
Os 10 (Corrida)
1) Max Verstappen (Red Bull-Honda)
2) Sergio Pérez (Red Bull-Honda)
3) Fernando Alonso (Aston Martin-Mercedes)
4) George Russell (Mercedes)
5) Carlos Sainz Jr (Ferrari)
6) Lewis Hamilton (Mercedes)
7) Charles Leclerc (Ferrari) Lance Stroll (Aston Martin-Mercedes)
8) Pierre Gasly (Alpine-Renault)
9) Esteban Ocon (Alpine-Renault)
10) Kevin Magnussen (Haas-Ferrari)
Pilotos:
1) Max Verstappen (119)
2) Sergio Pérez (105)
3) Fernando Alonso (75)
4) Lewis Hamilton (56)
5) Carlos Sainz Jr. (44)
6) George Russell (40)
7) Charles Leclerc (34)
8) Lance Stroll (27)
9) Lando Norris (10)
10) Pierre Gasly (8)
Construtores:
1) Red Bull-Honda (224)
2) Aston Martin-Mercedes (102)
3) Mercedes (96)
4) Ferrari (78)
5) McLaren-Mercedes (14)
6) Alpine-Renault (14)
7) Haas-Ferrari (8)
8) Alfa Romeo-Ferrari (6)
9) Alpha Tauri-Honda (2)
10) Williams-Mercedes (1)
Destaque: Max Verstappen (Red Bull)
Quando ele começou nessa ciranda toda, ainda um garoto inconsequente, tinha bota pesada e pouca cabeça. A gente o criticava com muita razão em cada erro, alguns daquelas que diziamos, veementemente, que “não eram compatíveis” com quem queria ir além do limite de um “bom piloto e nada mais”.

Mas o amadurecimento e aperfeiçoamento do talento, velocidade e leitura de campo de Max Verstappen é algo que impressiona e deslumbra pela perfeição que se alcança. Talvez falar em “perfeição” é exagero, mas perto disso, aquela coisa de subverter a estratégia possível e achar outro caminho, provando que o campeão não vence só com pé pesado e audácia, mas com mente de senhor da guerra, literalmente.
Não a toa, Max toma conta da casa e mostra, por ele mesmo no parque fechado, por que é o número 1, na pista e na própria casa. Ele faz e mostra, foi o único a “correr” na Flórida e mereceu ser o destaque desta feita, muito fora do sono com cheiro de maresia do domingo.
As equipes
Red Bull: Não é preciso definir mais do que já vimos na pista com o holandês e sua tática totalmente fora da caixinha. Vitória mais que merecida em Miami, o que vira a mesa na cara de Checo Perez. É preciso muito mais tutano para o mexicano mostrar-se um adversário a altura, e estamos conversados.
Aston Martin: Tudo de volta ao normal, ao menos com Dom Alonso, numa fase tão boa que até sentir o aroma das flores tem lhe agradado. Mais um pódio, numa corrida pé-no-chão, sem ilusões maiores e permitindo-se errar a estimativa de voltas que Max atingiria os primeiros. Stroll não teve um bom fim de semana, fora da zona de pontos.
Mercedes: O momento, decididamente, não é bom. Mesmo com as mudanças vindouras para Imola, nada parece tirar a estrela de três pontas deste atoleiro. Ao menos, os pilotos fazem o que podem na pista, com George Russell mantendo a constância e Lewis Hamilton fazendo um 13° lugar converter-se em um bom quarto lugar abaixo de todas as limitações.


Ferrari: Num verdadeiro “efeito sanfona”. Tudo que andou forte (no que podia) em Baku, passou a prova as voltas de carros medianos (Leclerc tomando dribles de Kevin Magnussen) e sofrendo para manter-se firmes nos pontos. Chalinho está na conversão oficial para o “novo Alesi” enquanto Sainz perdeu mais um pódio, fragorosamente.
Alpine: Eu que não queria estar, hoje, nos boxes e bastidores dos franceses. Fosse uma equipe mediana sem muita pretenção por hora, dois carros nos pontos seria um baita resultado. Mas pergunte isso pro CEO da Alpine. O ultimato é claro, a bronca é grande e ninguém quer investir dinheiro e tempo para dar murro em ponta de faca. Dou razão!
Haas: Kevin Magnussen tirou Leclerc para dançar algumas vezes durante a prova e fez valer o que pode para garantir o ponto. Podia ter sido mais dada a posição no grid? Podia, mas pelas limitações, foi uma prova interessante para o dinamarques. Já Hulk passou apagado na prova, sem grande destaque.


Alpha Tauri: Nestes rodeios que ainda decidem o futuro, a turma de Faenza pouco fez de especial na pista. Tsunoda segue sendo o lider da esquadra na pista, ao menos com o que tem nas mãos e fazendo limonada. De Vries pouco demais fez e ainda está com a corda no pescoço: ou começa a trabalhar ou vai pegar o banquinho e sair de mansinho. Marko está de olho!
Williams: Podia ter saído, ao menos, com um pontinho bem suado pelas mãos de Alex Albon. O tailandês andou o que deu, mas não suportou os ataques dos adversários. Vida dura de Grove, com um carro visivelmente fraco, o que estraga até o aprendizado de Sargeant, na sua primeira corrida em casa, literalmente (ele é de Fort Lauderdale, bem pertinho de Miami).
McLaren: O famoso “fim de semana para esquecer” de Woking. Tanto Lando Norris quanto Oscar Piastri passaram a prova esquecidos em algum canto. Péssima atuação.
Alfa Romeo: Ainda em processo de espera. Chega a ser feio ver o estado atual da casa de Peter Sauber. Sem perspectivas, poucas ações em pista e outra corrida rigorosamente zerada.
E assim, fechamos o relato de Miami, prometendo voltar afiados (e, tomara, com mais emoções) na chegada “pra valer” na Europa. Ímola tem especial a caminho, novidades e muito mais. Será um novo passeio de Verstappen? Reação de Perez? Nada disso e mais um sono?
Aguardemos! Nos vemos dia 21! Até lá!