As famosas Rodadas Triplas da F1. Chegamos a última do ano, três corridas em três fins de semana seguidos. Após o descanso de um mês, o retorno para uma maratona frenética, passando por Austin nos Estados Unidos, e agora chegando ao querido porém podado Autódromo Hermanos Rodríguez.
Aqui, além de todas as dificuldades costumeiras, os pilotos teriam de enfrentar os componentes extras do calor e da altitude. Para manter vivas suas chances de título, Lando Norris precisava muito de uma vitória. Mas além de Max Verstappen, o piloto da McLaren já imaginava que enfrentaria uma oposição vermelha no fim de semana.
EQUILÍBRIO
A F1 chega em sua reta final com um quadro bastante curioso na dinâmica de forças, com o atual tricampeão Max Verstappen tendo de se medir contra a McLaren, equipe em ascensão durante o ano e que se tornou de fato o melhor carro da temporada.
Porém, a Ferrari trouxe atualizações para o GP da Itália, cerca de dois meses atrás, e parece ter conseguido recuperar boa parte do déficit de equipamento nas problemáticas curvas de alta.
Tendo um carro excelente em curvas de baixa (provavelmente o melhor conjunto do grid nesse terreno), a Scuderia passa a ter condições de rivalizar com as duas equipes que brigam pelo título.
E foi esse equilíbrio que se viu desde os treinos livres na pista Mexicana.
No TL 1, George Russell cravou a melhor volta, seguido por Carlos Sainz e Yuki Tsunoda, o japonês da RB tentando claramente uma recuperação nesse fim de semana.
O segundo TL viu Sainz marcando o melhor tempo, seguido por Oscar Piastri da McLaren e Tsunoda novamente em terceiro. Por fim, o último TL teve dobradinha da McLaren, com Piastri a frente de Lando Norris, e Sainz em terceiro.
Notável o equilíbrio nas sessões, e também o fato de que Sainz apareceu no Top 3 em todos os treinos, o espanhol mostrando excelente forma no México.
QUALIFICAÇÃO
O treino para definir o grid reservou a costumeira eliminação de Sérgio Pérez no Q1. Mesmo diante de sua torcida, o companheiro de Max Verstappen não conseguiu extrair o desempenho ideal do carro e iniciava mais um fim de semana desastroso, para frustração de Christian Horner e Helmut Marko, que devem estar muito arrependidos de terem renovado com Pérez logo no início da temporada.
Mas se “Checo” ficar de fora no Q1 virou rotina, uma McLaren nessa situação se tornou raridade. Mas foi essa a “proeza” conseguida por Oscar Piastri. Mesmo com Norris tendo de ceder o carro no primeiro TL para Pato O’Ward, ficando com menos tempo de pista, foi Piastri quem se enrolou e acabou eliminado no Q1. Um desempenho bem abaixo, que pode custar caro para a McLaren no campeonato de Construtores.

No Q2, eliminações para as duas Aston Martin, novamente longe da performance da turma da frente, tomando tempo das Haas, de Alex Albon e Pierre Gasly, os dois últimos conseguindo colocar seus carros no Q3, superando bem seus companheiros de equipe (Franco Colapinto da Williams dessa vez não passou do Q1).
A batalha pelo lugar de honra do grid no Q3 foi tensa, e envolvia os pilotos da Ferrari, Verstappen e Norris, os dois postulantes ao título. Charles Leclerc fez a pole provisória em sua segunda tentativa, mas Sainz respondeu com o primeiro e o terceiro melhores setores para ser o único abaixar o tempo para a casa de 1min e 15, fazendo a pole com 1’15”946.
Verstappen ficou com o segundo posto, e Norris, que marcou o segundo melhor setor, ficou com o terceiro lugar, a frente de Leclerc. George Russell e Lewis Hamilton faziam a terceira fila toda prateada, mas nitidamente corriam por fora na luta pela vitória.

CORRIDA
O grande desafio do autódromo Hermanos Rodriguez era equilibrar a balança de downforce das asas. Por conta do ar rarefeito da altitude, as equipes estavam optando por configurações de bastante pressão aerodinâmica, mas isso cobraria algum preço na velocidade final, tão importante na longa reta que antigamente era precedida pela lendária curva Peraltada (agora muito modificada e batizada de “Curva Mansell”).
A Ferrari tratou de conseguir um bom compromisso com bastante velocidade de topo para poder se defender de ataques nas retas.
Mas isso não foi suficiente para evitar a excelente largada de Max Verstappen, que tomou a primeira posição de Sainz na curva 1. A disputa entre os dois foi dura, e a Ferrari acabou saindo da pista, cortando o caminho e retornando na liderança.
Inteligente, porém, Sainz devolveu a posição para Verstappen imediatamente, sem necessidade de avisos pelo rádio, bem diferente do que aconteceu na semana passada com Lando Norris.
Atrás dos dois, no meio do pelotão, Yuki Tsunoda tentava uma largada interessante, porém com uma aposta arriscada no lado de fora indo para a curva 1. O japonês da equipe RB ficou sem espaço ao ultrapassar Alex Albon da Williams, os dois se tocaram e o acidente foi inevitável, chamando o Safety-Car logo após a primeira curva.

Assim, as primeiras seis voltas de prova foram sob o carro de segurança, com a ação retornando no sétimo giro, sem Albon e Tsunoda, obviamente.
Carlos Sainz estava voando baixo e ao abrir a nona volta, usou a asa móvel para cima de Verstappen e lançou uma manobra muscular na curva 1, que aparentemente surpreendeu o próprio Holandês.
Max tentou recuperar a liderança nas curvas seguintes, mas Sainz tratou de despachar a Red Bull nº 1 e seguiu rumo a uma vitória irretocável, controlando o desgaste de pneus e ritmo de corrida com excelente regularidade.

Atrás do líder, a briga foi franca. Na décima volta, foi a vez de Norris atacar Verstappen, com os dois dividindo curvas de forma bastante arrojada. Após ser ultrapassado por por fora da pista, Verstappen tentou retomar a posição numa manobra temerária, que colocou ambos para fora do asfalto.
Melhor para Leclerc, que tomou o segundo lugar vendo tudo de camarote. Mais uma dobradinha da Ferrari a caminho?
Verstappen seguiu em terceiro, com Norris resignado num quarto lugar que não resolvia nada para ele em termos de campeonato.

Foi então que a direção de prova decidiu punir o piloto holandês com 20s de acréscimo de tempo. Max, porém, continuou em terceiro durante mais algumas voltas, a frente de Norris, que se limitava a uma corrida de espera.
Na volta 26, a Red Bull decidiu chamar o holandês para os Boxes. Além da troca de pneus médios para os duros, Verstappen teve de pagar os 20s de punição, caindo para a décima-quinta posição.
Norris agora tinha pista livre a sua frente, mas Sainz já havia livrado uma vantagem de quase 10s para o piloto da McLaren. Leclerc estava mais acessível, mas com uma vantagem de 5s para o carro laranja.
O time comandado por Zak Brown apostou então no undercut, trazendo Lando um pouco mais cedo para a troca de pneus. A Ferrari respondeu com Leclerc parando no giro seguinte. Mais uma volta e foi a vez de Sainz fazer sua única parada, mantendo a liderança da corrida.
Sainz não seria mais ameaçado e comandaria a prova com tranquilidade, mas Leclerc não conseguiu manter o mesmo nível e Norris chegou na segunda Ferrari.
No final da volta 62, Charles tentou acelerar mais do que podia na saída da última curva, perdeu o controle do carro e saiu da pista, abrindo passagem para Norris fechar em segundo lugar.
Mais um vacilo de Leclerc, que assim como a dupla da McLaren, não consegue emendar uma sequência de vitórias consecutivas.
No fim, restou a ele parar duas voltas antes do final da prova para pôr pneus novos e conseguir o ponto da volta mais rápida, fechando o pódio.
MERCEDES: BRIGA INTERNA
Se no GP dos EUA as atualizações trazidas pela Mercedes deixaram o bólido prateado nervoso demais, esse comportamento não se manifestou tanto no México. Mas a performance em si não apareceu em Hermanos Rodriguez, e o time das flechas se limitou a ser o “melhor do resto”, fechando mais de 40s atrás da Ferrari de Sainz.
Mas isso não significou uma corrida na zona da “pasmaceira” para a trupe de Brackley. Hamilton largou melhor e passou Russell na primeira volta, mas George tinha mais rendimento na primeira fase da corrida e conseguiu ultrapassar o heptacampeão.
Porém, na metade final, Russell parece ter perdido desempenho com alguma avaria em sua asa dianteira, e passou a ter Hamilton enchendo seus retrovisores numa batalha bastante empolgante pelo quarto lugar.
Não havia muita ordem de equipe em jogo, e George se defendeu com tudo que tinha, mas acabou perdendo o duelo para Lewis faltando seis voltas para o final.

ALPINE: UM PONTO
O ano, ou melhor, os últimos anos da equipe Alpine têm sido recheados de vexames. Para piorar a situação, a Renault vai deixar de fabricar motores para a F1, e a marca francesa de competições deve ser motorizada pela Mercedes a partir de 2026.

Diante de um cenário tão desolador, é digna de nota a atuação de Pierre Gasly no GP do México, colocando o carro francês em oitavo lugar no grid, e levando essa encrenca ao décimo posto no final da prova, garantindo seu nono ponto no campeonato.
É esperar para ver se a equipe consegue se recuperar de decisões tão desastrosas nos últimos anos para começar a fornecer material realmente competitivo para seus pilotos.
PÉREZ: FIASCO E DESAFORO
Correr em sua terra natal era uma das poucas alegrias possíveis para Sérgio Pérez após um ano miserável em 2024. Porém, depois desse domingo, tudo que “Checo” quer é esquecer esse GP do México.
Não bastasse o vexame de não passar do Q1 e largar apenas em décimo-oitavo, Pérez ainda tomou uma punição de 5s logo de cara, pelo infame erro de estacionar o carro no grid fora dos colchetes.
Mas ainda ficaria pior. “Checo” largou bem, (provavelmente a única coisa que fez de bom no fim de semana) e fechou a primeira volta em décimo-terceiro. Em seguida ele superou as duas Aston Martin, e então chegou em seu novo desafeto: Liam Lawson.
Os dois travaram uma batalha ferrenha, com toques importantes que danificaram o carro de Pérez. Pra piorar, o neozelandês literalmente mandou o dedo do meio para o Mexicano.
Dali pra frente, Pérez amargou desempenho pífio e acabou a prova em décimo-setimo, último dos que completaram o GP. Christian Horner e Helmut Marko esfregam as mãos…

ALONSO 400: PODIA SER MELHOR
Fernando Alonso Días alcançou a marca histórica de 400 GPs. Não vamos entrar aqui nos detalhes de que ele ainda está com 397 largadas, qual contagem que vale, qual não vale. A FIA fez a homenagem no México, e é o que importa. Fundamental mesmo era fazer uma grande corrida. Infelizmente, não foi isso que aconteceu.
O asturiano favorito da galera teve mais um domingo difícil a bordo de uma Aston Martin que evidentemente parou no tempo. A equipe é uma das que mais trouxe atualizações durante essa temporada, porém, o efeito dessas mudanças é praticamente nulo.
Alonso perdeu posição para Lance Stroll na primeira volta e andava num modesto décimo-terceiro lugar quando um problema de freios o levou a abandonar a corrida após completar apenas 15 voltas. “Dom Alonso” espera ansiosamente por Adrian Newey, sem dúvidas.
CLASSIFICAÇÃO APÓS HERMANOS RODRÍGUEZ
PILOTOS (TOP 10):
- M. Verstappen – 362 pts
- L. Norris – 315 pts
- C. Leclerc – 291 pts
- O. Piastri – 251 pts
- C. Sainz – 240 pts
- L. Hamilton – 189 pts
- G. Russell – 177 pts
- S. Pérez – 150 pts
- F. Alonso – 62 pts
- N. Hulkenberg – 31 pts
OBS: Apenas os quatro primeiros ainda tem chances matemáticas de título.
CONSTRUTORES:
- McLaren-Mercedes – 566 pts
- Ferrari – 537 pts
- Red Bull-Honda – 512 pts
- Mercedes – 366 pts
- Aston Martin-Mercedes – 86 pts
- Haas-Ferrari – 46 pts
- RB-Honda – 36 pts
- Williams-Mercedes – 17 pts
- Alpine-Renault – 14 pts
- Kick Sauber-Ferrari – 0 pt
OBS: Apenas as quatro primeiras equipes ainda tem chances matemáticas de título.
Como dá para perceber pela tabela de classificação, a disputa vai ser acirrada até o fim do ano pelos primeiros lugares. Isso só aumenta a expectativa para Domingo, 3 de Novembro.
O grande dia do GP do Brasil em Interlagos está chegando. Verstappen acuado, Norris tentando responder à altura, polêmicas, a Ferrari chegando mais perto, e a Mercedes nunca pode ser descartada nessa pista, ainda mais com Hamilton ao volante. Promessa de um GP espetacular. Abraços e até semana que vem!