Senna, Audi e Interlagos ao contrário, por Edgard Mello Filho

Todo dia 1° de maio, para quem ainda tem nas veias o sangue coagulado com gasolina e pedações de borracha presta seu tributo a memória do Chefe, do “Enerto”, do Béco da dona Neide e do “seu” Milton, do terror do Prost e do desafeto do Nelsão. Foi aquele domingo que ninguém queria que tivesse acontecido de fato, a corrida que não devia ter largado, o piloto – assim como Roland – que não deveria ter partido naquele dia em Imola.

É quase um dia religioso pra alguns, e para outros, apenas mais um momento de lembrar das proezas do cara que, para muitos, foi o causador dessa paixão por velocidade, emoção, adrenalina a mais de 300 por hora. Felizmente, a nossa geração, aquela surgida entre os anos 1970 e começo de 1990, teve a sorte de saber quem foi Ayrton Senna, sem ser pacheco ou uma eterna viúva cujo relógio da F1 travou naquela época.

O dono: do relato, da pista (à época) e da adrenalina: o piloto/jornalista Edgard Mello Filho (GP)

Então, hoje é 1º de maio, e quase como um jogral escolar, a diretoria do G&M resolveu juntar-se para uma volta ao tempo em um dia em São Paulo, no distante 1993. Lá fora das porteiras de Interlagos, aquele dia bem paulistano: trânsito, correria, gente se esbarrando, empresários correndo no mesmo passo dos trabalhadores, torcedores de Corinthians e Palmeiras resenhando, café pingado no balcão e um Adoniran Barbosa perdido nas esquinas.

Foi num dia desses que um jornalista/piloto teve o privilégio de presenciar in loco, de carona e sem poder respirar, do que o Chefe era capaz, com muito talento e os cavalos-vapor da casa de Ingolstadt. Trata-se da releitura – em vozes e efeitos – do relato precioso de Edgard Mello Filho, quando, além dos periódicos e das narrativas inconfundíveis de DTM e Nascar, era o superior da pista paulista e, na vistoria do patrão maior, teve um presente que jamais esqueceu.

Se ficou bom ou não, não sabemos. Se o Edgard gostou ou não, também não sabemos, mas nada melhor do que recordar Senna deste jeito: acelerando, espetaculando em pista, motor, volante e quatro rodas.

Bora ouvir…

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