E a F1 chegou a Interlagos. Com um campeonato na linha como em tantas outras oportunidades. Os nervos se afloraram mais uma vez. A temporada de 2024 prometia ser das mais monótonas da história, com mais um domínio massacrante de Max Verstappen e da Red Bull, que venceram quatro das primeiras cinco etapas com bastante tranquilidade.
Porém os ventos de mudança começaram a soprar a partir da vitória de Lando Norris, da McLaren, no GP de Miami. Desde então, a equipe “Papaya” foi se tornando a força dominante da temporada em termos de performance, e Norris passou a ter em mãos a arma ideal para reverter a diferença para o Neerlandês e conquistar o título mundial.
O duelo entre os dois esquentou, com confrontos bastante “físicos” na pista. Para alguns, automobilismo puro, raíz. Para outros, Verstappen está cruzando a fronteira da desportividade e jogando um jogo sujo.
A briga na pista e nas narrativas das salas de imprensa acabou abrindo um novo capítulo da rivalidade secular que cerca a F1: Os britânicos da McLaren, de Lando Norris, contra os “estrangeiros” continentais, da Red Bull, de Max Verstappen.
Uma história que se iniciou nos anos 50, com as italianas Alfa Romeo, Ferrari, Maserati, e os britânicos da BRM, depois Cooper, Brabham, Lotus.
Mas se esse duelo na pista entregou tantos momentos de equilíbrio, emoções e disputas roda a roda, fora dele, na política, na administração da categoria, em “know-how”, os britânicos foram tomando conta do esporte, por vezes tornando a Ferrari e outras montadoras equipes obsoletas.
Esse sucesso certamente subiu a cabeça da turma da “Ilha do Brexit”, que especialmente após a compra da F1 pela Liberty Media, se sentem “intitulados” para estabelecer sua narrativa, contar a história do esporte como bem entendem, sempre claro, usando da boa e velha patriotada para “pistolar” seus patrícios.
Os episódios recentes no confronto entre Verstappen e Norris trouxeram novamente à tona essa postura por parte dos “especialistas” britânicos, na SkySports, na Autosport, em canais do Youtube.
Nunca engolindo a vitória legítima de Verstappen em Abu Dhabi 2021, jornalistas ingleses ansiavam pelo momento em que Max seria novamente confrontado por um dos seus.
E esse momento chegou em 2024. Com o duelo escalando, e com Verstappen nas cordas com uma Red Bull que por vezes é o terceiro melhor carro do grid, o holandês passou a usar táticas de defesa pessoal que têm sido alvo de duras críticas. O pedido por punições e mudanças nos códigos de conduta dos pilotos ecoou.
Nesse cenário, a aparição do lamentável Johnny Herbert como comissário convidado levantou olhares suspeitos. O ex-piloto é sabidamente um inglês bastante “pacheco”, e já se envolveu em discussões muito duras com Fernando Alonso, um dos alvos favoritos de uma cultura de xenofobia velada em que somente os ingleses são realmente bons no esporte a motor.

Com Herbert aparecendo, ninguém se surpreendeu com as punições exageradas para Verstappen no México.
Mas a cara de pau da ala britânica que comanda o esporte não tem limites, e ridiculamente o ex-piloto foi chamado para ser comissário novamente, em Interlagos.
A pista brasileira, teoricamente seria um “campo neutro” no meio dessa disputa, não fosse o fato de que a esmagadora maioria da torcida, e imprensa brasileira, não disfarçam sua preferência para os ases britânicos, seja Lewis Hamilton, Russell, Norris, ou Piastri, que é australiano mas também guia pela McLaren.
Formava-se um clima bastante “bélico” ao redor da prova, e talvez isso tenha interferido de forma importante em algumas decisões tomadas no fim de semana paulista.
SPRINT – Safety-Car sob demanda pra McLaren
O primeiro desafio para máquinas e pilotos no fim de semana seria a Corrida Sprint. Isso significava que haveria apenas uma sessão de treino Livre na sexta, seguida do treino para formar o grid da mini-prova.
A McLaren havia sido competitiva em Interlagos no ano passado, e com os grandes desempenhos desse ano, ninguém se surpreendeu ao ver Lando Norris liderar a sessão livre, que foi muito utilizada pelas equipes para encontrar o acerto ideal do equipamento. Todos também pensavam na grande possibilidade de chuva para o fim de semana.
Verstappen vinha de vencer todas as corridas Sprint no ano, mas correria com a sombra de uma punição de 5 posições no grid para a corrida principal (por troca de componentes do motor).
Pensando mais no acerto final, fazendo simulações de corrida, Max foi apenas décimo-quinto no TL. George Russell foi segundo, e Oliver Bearman, substituindo o adoecido Kevin Magnussen na Haas, foi o terceiro.
O treino para a Sprint trouxe um revivido Oscar Piastri fazendo a pole, seguido por Lando Norris, a McLaren mostrando sua força. Charles Leclerc da Ferrari saía do terceiro lugar, e Verstappen no quarto posto.
Vencedor no fim de semana mexicano, Carlos Sainz conseguiu o quinto tempo, seguido de George Russell. O piloto inglês salvou a pele da Mercedes na sessão que viu Lewis Hamilton ser eliminado no Q2.
Outra eliminação surpreendente foi a de Fernando Alonso, no Q1, junto de Lance Stroll, iniciando mais um fim de semana tétrico para a Aston Martin.
A Sprint protagonizaria a primeira situação curiosa em termos de decisão de prova. Piastri assumiu a ponta da corrida, mas a McLaren tinha um combinado evidente de inverter posições.
Porém, Leclerc e Verstappen ficaram no encalço e o time britânico hesitou em fazer a inversão, temendo em gerar uma possibilidade para os rivais conseguirem passar as McLaren.
Verstappen ficou preso atrás de Leclerc até que faltando 6 voltas para o fim da prova conseguiu a manobra no final da reta oposta. Max parecia ter ação para caçar as McLaren, e o drama crescia nos rádios da equipe chefiada por Zak Brown. Se Piastri deixasse Norris passar agora, Verstappen poderia se aproveitar do vácuo e asa móvel para também conseguir despachar o australiano e ameaçar a vitória de Lando.
Então, Nico Hulkenberg encostou seu carro com problemas no motor, faltando duas voltas para o fim. Sem condições de relargar, a situação pedia no mínimo um Safety-Car Virtual, e assim a McLaren não poderia fazer a inversão de posições.

Porém, a decisão de prova hesitou, postergou, enrolou, até Piastri finalmente ceder a liderança para Norris. Verstappen conseguiu colar no australiano, e tinha condições de tentar a ultrapassagem, mas então o VSC foi acionado.
Na última volta, houve relargada e Verstappen se manteve a uma distância menor de Piastri do que a marcação no momento de ativação do Safety-Car Virtual. Norris venceu, seguido por Piastri, e Verstappen fechou em terceiro…até receber uma punição de 5 segundos por não ter respeitado a distância antes do VSC.
Norris saiu com 8 pontos, Verstappen ficou em quarto com 5. A diferença caía para 44 pontos. Mas as coisas iriam melhorar ainda mais para Norris.
O drama do treino
A corrida Sprint foi no sábado às 11 da manhã. O treino classificatório para a corrida estava marcado para as 15h do sábado. Só que nada como uma tarde paulistana para mudar os planos. O céu desabou em Interlagos no horário marcado, e os fãs ficaram aguardando as notícias de adiamento, até que o treino foi alocado para domingo de manhã.
Assim, a qualificação seria às 7:30h de domingo, e a corrida que originalmente seria realizada às 14h, foi adiantada para 12:30h.
As mudanças eram uma tentativa de fugir da chuva, mas nada feito. Na manhã de domingo, hora do treino, a chuva tomava conta do autódromo José Carlos Pace.
E os famosos pneus azuis de chuva pesada da Pirelli fizeram sua aparição. No Q1, o drama ficou reservado para a eliminação de Hamilton, com uma Mercedes intratável no molhado. Norris quase caiu fora também, sendo salvo pelo acidente do argentino Franco Colapinto, que amargou a saída e danos no carro enquanto Alexander Albon colocava a outra Williams em P2, atrás apenas de Max Verstappen, que parecia ter condições de lutar pela Pole, mesmo que tendo de amargar a punição de 5 posições no grid.
Tudo porém, mudaria no Q2. Entre o acidente de Carlos Sainz no início do treino na saída do “S” do Senna, e o acidente de Stroll no final do páreo, Verstappen não conseguiu fazer uma volta para lhe garantir entre os 10 melhores.
Ele vinha rápido no momento do acidente de Stroll, porém a bandeira amarela que a batida provocou obrigou os pilotos a reduzir o ritmo. E veio a segunda polêmica do fim de semana.

Faltando 1 minuto e meio para acabar o treino, a direção de prova tinha essa situação de acidente para lidar, e evidentemente era caso para uma bandeira vermelha.
Com o tempo que restava no cronômetro, o treino poderia ser reiniciado, e pilotos como Verstappen ainda teriam a chance de marcar mais uma volta.
Mas a direção demorou demais, manteve apenas a bandeira amarela, e só deu a Vermelha quando faltavam 40s de treino. Não havia tempo hábil para sair e abrir voltas, e o Q2 estava encerrado, com Verstappen em décimo-segundo, que viraria décimo-sétimo com a punição. Desastre e reclamações da parte de Max.
Norris liderou a sessão, e virava favorito indiscutível para a pole. Pérez era décimo-terceiro.
No Q3, Alonso bateu no início do treino, detonando sua Aston Martin, dando ainda mais trabalho para os mecânicos do time. Norris dominou a sessão, melhorando sua marca volta após volta, garantindo a pole em bela exibição.
Albon vinha em fantástico segundo lugar, quando perdeu o controle do bólido azul na freada pro S e se chocou contra o muro externo. O quê sobrou do carro seria impossível de reparar a tempo da largada, e o piloto da Williams estava fora da corrida.

Norris largaria na frente, com George Russell surpreendendo na Mercedes ao seu lado. Mas nada superava a maravilhosa performance de Yuki Tsunoda em terceiro, e Esteban Ocon em quarto.
Liam Lawson continuava o grid alternativo com a outra RB em quinto, e apenas em sexto aparecia Charles Leclerc. O sétimo lugar era de Albon, mas ele não largaria, limpando o caminho para Piastri, em decepcionante oitavo posto. O palco estava montado para uma corrida histórica.
Obra-Prima de Verstappen
A largada da corrida seria com chuva, mas em nível suficiente para todos utilizarem os pneus Intermediários. Mas o começo do GP do Brasil de 2024 não poderia ser mais cômico.
Na volta de apresentação, em plena reta oposta, se aproximando da Descida do Lago, Lance Stroll perdeu o controle de sua Aston Martin e rodou, caindo na área de escape.
Mas o pior ainda estava por vir para o herdeiro de Lawrence. Ao tentar se recuperar e voltar para a pista, ele colocou o carro da Aston Martin na caixa de areia…e de lá não saiu mais, para deleite da torcida nas arquibancadas da reta oposta.

Com Stroll fora, foi realizado um novo procedimento de largada, só que enquanto as luzes piscavam e mostravam o sinal de “Largada Abortada”, Lando Norris saiu para a volta de apresentação.
Os outros pilotos do Grid hesitaram em segui-lo, mas acabaram partindo para a nova volta de reconhecimento. Esse erro de Norris foi colocado sob investigação pelos comissários, e poderia resultar em punição para o piloto da McLaren.
Por conta dessa situação, houve uma terceira volta de apresentação, e finalmente tivemos a largada para o GP.
Como virou rotina nesse campeonato, Norris não conseguiu manter sua pole, e viu Russell mergulhar com autoridade para assumir a liderança no “S do Senna”.
No lado oposto da balança, Verstappen partiu de forma excelente, e completou a primeira volta em décimo-primeiro.

Na volta seguinte, passou por Hamilton com autoridade, enquanto o britânico sofria com uma Mercedes nitidamente baixa demais.
Após seis voltas, Verstappen já era oitavo, tendo despachado Gasly e Alonso. Ele agora mirava em Piastri, e se aproximava do piloto McLaren num ritmo superior ao de Russell, que continuava liderando a prova segurando Norris a uma distância de 1 segundo.
Piastri é conhecido por ser um excelente “racer”, capaz de criar ótimas ultrapassagens e também de se defender. Se ele estava preocupado ou não em ajudar Norris, é algo que nunca saberemos, o fato é que Verstappen aparentemente o surpreendeu com uma tentativa de muito longe na freada para o S e tomou o sétimo lugar.

A próxima vítima era Liam Lawson, da RB, equipe satélite da Red Bull, e Verstappen não encontrou problemas para fazer outra ultrapassagem.
A essa altura, Russell e Norris seguiam seu mano a mano com uma vantagem de 10s para Verstappen, que era o sexto. Só que o terceiro, quarto e quinto colocados estavam bem diante do holandês, numa briga ferrenha que não se resolvia, graças a ausência do DRS, proibido nessas circunstâncias de chuva.
O valente Tsunoda mantinha a terceira posição, segurando Ocon, que prendia Leclerc. Verstappen esperava por uma oportunidade de ultrapassar o piloto Ferrari, e ela quase veio num vacilo do às de Maranello, que embarrigou uma das curvas, se afastando dos outros dois e perdendo vácuo. Verstappen fez suas tentativas, os dois lados a lado no S do Senna, porém Charles conseguiu se defender.

Enquanto Max encalhava atrás dessa briga, Norris seguia preso atrás de Russell, que parecia começar a sofrer com desgaste de pneus. Leclerc sentiu o mesmo problema, e decidiu para na volta 25 para pôr novos Intermediários, caindo para 13°.
A aposta de Leclerc e da Ferrari não se pagou, pois a chuva se intensificou nas voltas seguintes e o rumo da corrida mudaria drasticamente.
O S do Senna fez mais uma vítima quando Hulkenberg rodou e ficou preso na área de escape. A direção de prova chamou o Safety-Car Virtual, e vários pilotos entraram nos boxes para fazer a troca de pneus com menos perda de tempo.

A situação virou um jogo de apostas. Pelo rádio, George Russell, sentindo que a situação da corrida piorava com o aumento da chuva, clamava que logo viria uma bandeira vermelha, e que era uma boa ideia ficar na pista. O Pit-Wall da Mercedes não concordou e chamou o piloto para trocar por outro jogo de pneus Intermediários. A McLaren fez a mesma jogada com Norris e Piastri.
Em resumo, ficaram na pista sem trocar sob Safety-Car: Ocon, Verstappen, Gasly e Bottas. O finlandês era carta fora do baralho e andava entre os últimos. Mas as duas Alpines e Verstappen agora lideravam a prova, porém, se tivessem de fazer a troca para novos pneus Intermediários, despencariam no grid.
Só que na volta 31, Franco Colapinto perdeu o controle do carro na subida dos Boxes enquanto tentava alcançar o pelotão liderado pelo carro de segurança. A batida detonou o carro da Williams, causando desespero nos boxes da tradicional equipe.

Com a Williams de número 43 atravessada no meio da pista, a direção de prova deu Bandeira Vermelha. Todos os pilotos retornaram para os boxes para aguardar os reparos e o horário da relargada, com a questão crucial: todos poderiam trocar pneus sem perda de tempo. Vantagem gigante para quem apostou em ficar na pista. Enquanto Russell xingava pelo rádio da Mercedes, Verstappen e a Red Bull esfregavam as mãos…
Na espera que se seguiu, a direção de prova decidiu dar Bandeira Preta para Nico Hulkenberg por ter recebido ajuda externa dos fiscais de pista para retornar para a prova.
A relargada veio em movimento, e Esteban Ocon conseguiu aproveitar essa vantagem para manter a ponta, com Verstappen na sua espreita. Gasly ficava mais para trás, enquanto Norris perdia novamente a posição para Russell ao espalhar na Curva do Sol. O piloto da McLaren agora era quinto.

Ocon valentemente se mantinha na liderança, mas Verstappen parecia esperar a oportunidade certa para tentar a manobra que lhe daria a ponta da prova. E ela veio com a última intervenção do Safety-Car, causada pelo acidente de Carlos Sainz na saída do Laranjinha. Enquanto Sainz se desculpava com a Ferrari, os pilotos cumpriam três voltas atrás do carro de segurança.
A relargada trouxe o contraste gigantesco entre os dois postulantes ao título que se viu durante todo o GP de uma vez só: Verstappen partiu decidido, e mesmo vindo de muito longe na freada do S do Senna, conseguiu uma manobra sensacional para assumir a liderança.
Na mesma curva, alguns instantes depois, Lando Norris passava na linha branca e deixava sua McLaren deslizar para fora da pista, perdendo posições para Leclerc e Piastri.
Verstappen na liderança, Norris em sétimo…depois de largar da Pole.

Enquanto a McLaren pedia para Piastri inverter posições novamente no fim de semana, Verstappen fazia miséria: o holandês entrou numa corrida particular consigo mesmo a partir do momento em que tomou a ponta e fez a volta mais rápida nada mais nada menos do que 15 vezes dali pra frente.
Contando com outras duas voltas mais rápidas enquanto escalava o grid, Verstappen saía de Interlagos com a melhor marca da prova em 17 oportunidades. Ainda mais impressionante: a melhor volta do holandês foi impressionantes 1,045s mais veloz que qualquer volta dos outros pilotos do grid.
Uma exibição de gala com um carro que vinha sendo inferiorizado pela McLaren durante vários momentos do fim de semana, especialmente no seco.
Verstappen venceu de forma antológica, 20 segundos à frente da dupla da Alpine, que fechou um dos pódios mais bonitos da temporada após um ano miserável.

George Russell ficou em quarto, colado em Gasly. Leclerc fechou em quinto, 7s atrás do inglês, mas a frente de Norris, o grande perdedor do dia. O aguerrido Tsunoda fechou em sétimo, mas merecia mais. Piastri fechou em sétimo na pista, mas ganhou uma punição de 10s por um toque e acabou em oitavo.
Mais decisões polêmicas
Após a prova, ficamos sabendo que a Mercedes estava sendo investigada por ter alterado a pressão dos pneus de forma irregular antes da prova. Mas para a surpresa de ninguém depois de tudo que se viu nesse fim de semana, a equipe foi apenas multada.
E mais: Lando Norris evidentemente furou todo o procedimento de largada, e poderia ter levado uma punição também. Mas ele também recebeu apenas uma multa.
O apito amigo de Johnny Herbert trabalhou bastante nesse fim de semana…
Novatos sofrem, Pérez vive mais um dia normal
A prova em Interlagos reservou provavelmente o maior desafio da temporada até aqui. As condições de clima mudando muito e a prova inteira debaixo da aclamada chuva paulistana tornaram o GP de 2024 uma prova duríssima.
Os novatos da categoria sentiram o gostinho do quão difícil pode ser a F1. Franco Colapinto vinha impressionando em suas aparições até aqui, mas seus acidentes nos treinos e na corrida fazem esse fim de semana algo para se esquecer.

Quem também quer esquecer, ou pelo menos tirar algum aprendizado dessa prova é Oliver Bearman, o novato da Haas substituiu Magnussen e fez uma bela emulação de Peão da Casa Própria, rodando incontáveis vezes e fechando a prova em décimo-segundo.
À frente de Bearman, encontrava-se Sérgio Pérez, que também rodou e entregou outra atuação pífia a bordo de sua Red Bull. De destaque mesmo, apenas mais um duelo com Liam Lawson, que mira cada vez mais no assento ocupado pelo mexicano.

Chuva lava a alma da Alpine
A temporada de 2024 têm sido um calvário para a equipe Alpine. O time perdeu muita competitividade e sua dupla de pilotos formada por Pierre Gasly e Esteban Ocon amarga desempenhos sofríveis.
Mas o tempo imprevisível de São Paulo abriu a brecha para o imponderável, e a equipe que até então tinha apenas 14 pontos marcados, levou 35 tentos de uma vez só em Interlagos.
Ocon foi excelente ao colocar o carro francês em quarto no grid de largada, e soube se manter entre os primeiros o tempo todo. O time apostou certo com os dois pilotos ao não pararem no Safety-Car, fazendo a troca na paralização por bandeira vermelha.
Com outros favoritos ficando pelo caminho, Ocon e Gasly conseguiram fechar o pódio. Algo impensável no início do fim de semana.
A celebração da equipe após um ano difícil foi mais do que especial e até os pilotos, que não se dão nada bem, acabaram dando o abraço da “amizade”.

Hamilton: Tributo a Senna salvou fim de semana.
O heptacampeão Lewis Hamilton teve mais um fim de semana difícil a bordo do que ele classificou como o “pior carro que já guiou na F1”. A Mercedes sofreu como nunca na chuva e ondulações de Interlagos.
Mas se a prova em si foi ruim, com Lewis fechando num modesto décimo lugar, as emoções antes da largada valeram demais.
Em mais um dos vários tributos feitos a memória do grande Ayrton Senna, coube a Hamilton a honraria de guiar a MP4-5B que o piloto brasileiro usou em 1990, ano de seu segundo título.
Curiosidade: segundo o expert em chassis Lucas Giavoni, do GPTotal, o bólido pilotado por Hamilton era o chassis número 7, usado por Senna apenas em um fim de semana de 1990: o de Suzuka. Isso mesmo, o carro que Hamilton usou, foi usado por Senna para fazer a fantástica pole no Japão, e também na largada, quando bateu em Prost para selar o bicampeonato.
As emoções foram palpáveis durante as mágicas voltas que Hamilton deu a bordo de um carro tão significativo na memória do povo brasileiro. Simplesmente épico.

Foi um domingo inesquecível, um fim de semana mágico com muitas emoções. O campeonato parece enfim decidido a favor de Verstappen, mas ainda restam três corridas. Lando Norris ainda não disse sua última palavra? Aguardemos o GP de Las Vegas em 23 de Novembro para termos respostas.
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